Vida e morte pela política

Ingrid Betancourt, deputada sequestrada pelas FARC, e Gabrielle Giffords, deputada baleada em Baltimore nos EUA, têm mais do que a política em comum. São mulheres que decidiram dedicar a vida ao bem público e foram levadas a estar entre a vida e a morte. Cada uma no seu caminho enfrenta a violência injustificada na luta por uma causa.

A deputada Gabrielle travou uma batalha a favor da reforma do sistema de Saúde americano, uma das bandeiras do presidente Barack Obama. Na disputa maniqueísta entre democratas e republicanos, até um mapa dos parlamentares que devem ser “eliminados” é divulgado na internet, no qual Gabrielle aparece como alvo. A autoria é atribuída a Sarah Palin, a ex-candidata a vice-presidente na chapa com John McCain em 2008.

Infeliz coincidência ou triste consequência, Gabrielle foi baleada na cabeça durante um evento chamado “‘Congress on Your Corner”, no qual políticos visitam sua comunidade para conversar com os eleitores durante o mandato.

A senadora Ingrid Betancourt era então candidata à presidência da Colômbia quando foi sequestrada pelas Farc em 2002. Ela tentava entrar em uma zona desmilitarizada do sul do país, três dias depois de o então presidente, Andrés Pastrana, cancelar o processo de paz com a guerrilha. Ingrid pretendia demostrar que em seu possível governo haveria negociação de paz e virou objeto de troca nas mãos dos guerrilheiros.

Durante seis anos esteve próxima da morte em vida. Sofreu tortura física e psicológica, foi maltratada, submetida a esforços físicos incompatíveis com sua idade e condição. As inúmeras tentativas de fugas recebiam como resposta a dura punição do isolamento e do castigo.  Os guerrilheiros submeteram Ingrid e outros sequestrados a uma vivência desumana em nome do “socialismo” na Colômbia.

No jogo da política reproduzido muitas vezes nas nossas vidas, a combinação de paixão, interesses individuais e coletivos leva a ações extremas. Na  história homens e mulheres que viveram e morreram por uma causa foram elevados a papéis de martires. Ao visitar a linha entre a vida e a morte, Ingrid e Gabrielle abdicaram de uma vida prosaica e viraram modelos de coragem e bravura.

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