Fragmentos da indústria cultural

Há alguns programas e filmes que tenho na minha lista de favoritos. Poderia elaborar um ranking que não passaria de dez ítens, mas vou abordar apenas dois seriados: Sex and the City e Lipstick Jungle.

No capítulo 16, Nico, Victory e Wendy no almoço de Thanksgiving

Divulgação

Em comum, eles têm Candace Bushnell, autora americana que tem uma lista invejável de best sellers. O seriado Sex and the City, estrelado pela personagem Carrie (Sarah Jessica Parker), foi um sucesso absoluto entre 1998 e 2004, deixando milhares de viúvas quando encerrou a sexta temporada. A fórmula era simples: quatro amigas de perfis diferentes tentando a vida em Nova York, com seus altos e baixos amorosos. Trabalho? Só a mais diligente delas, Miranda se preocupa com uma carreira promissora. As demais, gastam o dinheiro que não ganham.

Em Lipstick Jungle, a fórmula é parecida. São três amigas de meia-idade que moram em Nova York, são bem-sucedidas e vivem dilemas quase reais. Na trama entram crise no casamento versus bonança na profissão, trapaças no ambiente de trabalho versus crenças e valores pessoais, traição versus fidelidade, filhos versus carreira. O detalhe é que o fracasso do lançamento de uma coleção de moda da estilista Victory Ford (Lindsay Price) é amenizado com o envio de um jato particular do namorado milionário e afogado em taças de champagne.

Andy Warhol, ícone pop dos EUA, disse certa vez que um artista é alguém que produz coisas de que as pessoas não têm necessidade, mas que ele – por qualquer razão – pensa que seria uma boa ideia dá-las a elas. O fracasso, por exemplo, é inevitável na vida de milhares de pessoas, já o champagne é a gota de ilusão que os pobres ou derrotados não têm, mas não seria uma ótima ter?

O fato é que Lipstick Jungle não sobreviveu à selva de pedra da audiência norte-americana e a NBC cancelou a produção, sem ao menos concluir a terceira temporada. Já Sex and the City lança neste ano o segundo filme longa-metragem para o cinema.

A indústria cultural que mantém Law & Order no ar há dez anos é a mesma que decreta a morte de um dos seriados mais fieis  ao mundo das mulheres que se dividem entre família e trabalho. Como parece que só eu penso assim, ficarei com o meu gosto outsider a rever episódios das duas séries e a ler os livros de Candace. Este prazer, a televisão não pode me tirar.

Suspeita Gripe A: um relato pessoal

Encarar a ponte aérea RS-SP em época de surto de Gripe A nos dois Estados é temerário. Mas eu não estou nos grupos de risco ou, pelo menos, achei que não estivesse.

_ Não há grupos de risco, qualquer um pode pegar_ afirma o dr. Brenol “Júnior”, meu irmão Claiton.

O debate familiar se instalou depois que voltei de uma semana em São Paulo com tosse forte, falta de ar, coriza e dor de cabeça.  Dr. Brenol, meu médico-pai, auscultou meu aparelho respiratório e requisitou:

_ Mana, vamos fazer um raio-X de tórax, agora.

Ele sempre foi o mestre dos magos lá em casa, me orientou pelas desventuras da vida. Desta vez, me guiou até o Hospital Moinhos de Vento.

mail.google.com19h30min
Na emergência, sala de espera cheia de pacientes, enfermeiros e atendentes vestindo máscara de proteção à gripe A. Giana, a atendente, faz minha ficha e já avisa: coloca a máscara e senta, são de duas a quatro horas de espera.

20h
Ouço uma voz masculina chamar meu nome. É o enfermeiro Fábio que faria uma triagem. Ele pergunta o que eu sinto, tira febre e mede a pressão. Em seguida, me encaminha de volta à sala da angústia.

20h10- 23h
O pior da sala de espera é a angústia do ser ou não a próxima vítima do vírus H1N1. hmv_gripeAUns pacientes estavam sozinhos, outros acompanhados por amigos ou familiares, calados ou falando baixo, todos contribuíam para uma atmosfera tensa. Cada vez que a porta abria e um médico aparecia, a esperança reacendia.

23h
Minha vez chegou: dra. Lenise Valler me chamou. Já estava cansada e os sintomas pareciam ter piorado ao longo da noite. Lenise me examinou e constatou chiado em minha respiração. Pediu nebulização e raio-X do tórax. Pelo menos, eu não estava com febre e isso reduzia minhas chances de estar com a temida gripe A.

23h15min
Eu respirava com a ajuda do bocal do nebulizador e observava os demais pacientes que aguardavam o diagnóstico  final ou, pelo menos, uma atenção médica. Mas a emergência estava muito cheia e havia apenas duas médicas para todos os casos suspeitos de gripe e as demais doenças.

23h30min
Leandro, do raio-X de tórax, era um homem simpático e bem-humorado. Observando minha fadiga disse: _ Não vá desmaiar aqui, sente e fique acomodada.

Apesar do exame desconfortável, me senti acolhida. Uma sensação de confiança pairava no terceiro andar do prédio.

23h30min-0h30min
Retornei à angustia da espera na sala de emergência. Eu sentada ao lado de dezenas de pacientes ansiosos por saber como proceder, ia assistindo de camarote às médicas passarem o diagnóstico, assim mesmo, na frente de todos. As sentenças eram assim:
_ O seu raio-X aponta espessamentos e há um princípio de pneumonia.
_ Seu raio-X está ok, mas deve seguir em observação.
_ Confirmados os sintomas da gripe, lhe passo a medicação (Tamiflu) para tomar de 12 em 12 horas.

Cada consulta que terminava com Tamiflu aumentava a tensão. E o pior é que nem mesmo aqueles que tomaram o remédio prometido podem ter certeza que tiveram mesmo o vírus.

_ Nós não estamos mais fazendo pesquisa para diagnóstico de gripe A_ respondeu a dra. Lenise ao ser questionada por um dos “suspeitos”.

0h40min
_ Marlise_ chamou a médica.
_Seu raio-X mostra um espessamento no tórax, característico de broncoespasmos. Tome um antialérgico, paracetamol, faça nebulização em casa e fique em repouso. Se houver piora dos sintomas, retorne.

Diagnóstico dado após cinco horas de espera, sai com aquela ponta de alegria e otimismo: pelo menos não estou com a pandemia do começo do século. E se estivesse com o vírus H1N1, jamais teria a confirmação.

ps. me desculpem sair do tema do blog, mas precisava desabafar. Pelo menos o meu relato é sobre um pauta jornalística bastante atual! 😉

A adrenalina da profissão

Há anos eu não produzia um conteúdo em vídeo para ser apresentado a um grande público e receber avaliação instantânea. Quando trabalhava em televisão, era repórter, a avaliação era diária. Nua e crua, emocionava e machucava. A verdade é cruel.

Até pouco tempo acredita que o trabalho atrás de um computador me mantivesse imune aos olhares julgadores. De certa forma estava certa. Mas eu não consigo ficar ali sossegada. Preciso me expor, experimentar, fazer coisas novas.

Pois resolvi voltar à aventura dos vídeos, grandes vídeos, quase um documentário. Foram horas sem sono, dias e dias lendo e relendo roteiro, reescrevendo. Tive ideias supreendentes, que seriam rejeitadas ali adiante para o bem do produto final, e outras que seriam levadas a cabo, com uma empolgação juvenil.

Todo o esforço valeria porque quando o grande dia chegasse estaríamos de alma lavada, missão cumprida e sorriso no rosto. Todo o esforço e o peso nas costas seriam substituídos pela sublime sensação de gratificação. Sabe, aquela adrenalina que produz o bem-estar.

Mas esta semana ela não veio. O que bateu em meu rosto foi a dura verdade. E ela é cruel, dói como um tapa certeiro. Chega com suas palavras pobres de espírito, mas sinceras. Seus olhares de dó, piedade. Aquela sensação de que o mundo parou para condenar o teu erro. Talvez nem tão meu, mas o que vale é a encenação. E eu estava no palco.

Os grandes vencedores não se abatem com um pequeno tombo. Podemos cair, mas nos levantamos, nem que este caminho precise ser percorrido milhares de vezes, chegaremos.

Namastê

Ad Sense e a nossa estranheza

Sim, é preciso transformar o jornalismo online em um negócio rentável. Nós jornalistas buscamos formas de sustentar o nosso trabalho cotidiano. Ainda é um desafio. Enquanto na web prevalece o acesso livre a todos os conteúdos, o software Ad Sense da Google é uma forma de acrescentar ganhos ainda que mínimos ao orçamento dos sites e blogs. No entanto, como os links comerciais entram automaticamente e por tags relacionados (associações de palavras-chave) pode acontecer de um anúncio provocar estranheza.

Como avisar ao Ad Sense que os anúncios colocados abaixo da notícia não são os mais adequados?

Como avisar ao Ad Sense que os anúncios colocados abaixo da notícia não são os mais adequados?