De 360 a 365

Rei Inamoto não é um monarca propriamente dito, mas os seus pensamentos tem influenciado mais do que uma nação. O chefe de criação da AKQA de Nova York, responsável por campanhas de marcas populares como Nike, Nissan e Audi, foi um dos primeiros publicitários a problematizar publicamente “o fim da publicidade como nós a conhecemos”. Em um artigo ele sintetiza em quatro premissas a mudança na relação dos consumidores com os produtos e como as campanhas podem se apropriar do novo comportamento e criar suas redes de fidelidade. Os princípios são sintetizados em: de integrado a conectado; de histórias das marcas para histórias de pessoas; de 360 a 365; de ruptura da mídia à invenção de negócios.

Na essência Inamoto sistematiza em quatro pontos como a vida digital alterou a relação das pessoas com os produtos. E se fosse possível estabelecer uma hierarquia entre marca e produto, na nova lógica o produto está em posição superior.  O modelo de publicidade de 20 anos atrás era baseado na presença da marca e ocupação dos espaços de mídia de difusão. Com as mídias digitais, o fenômeno de desintermediação dos meios cresceu. Estar em 360 canais não significa comunicar com eficiência. Hoje é mais relevante para a marca estar conectada, contar boas histórias, definir canais segmentados e públicos, criar identidade na rede e fundamentalmente ser útil.

Inamoto cita o exemplo da Nike+ Kinect Training que é uma planilha eletrônica de treinos e exercícios para as pessoas “jogarem” em casa. O consumidor vira um interator, ou seja, o produto depende de sua ação. Se a pessoa não agir, não haverá conexão. Mas quando o consumidor age, ele deixa de ser espectador e passa a ser personagem da história. É útil porque dá mais liberdade de escolha e de tempo aos atletas “do lar”. O próprio Chris Anderson (aquele da cauda longa e do Ted) elogiou o jogo “as good as a real trainer, costs less than a one hour’s lesson, and it’s 24/7 at home”.

Agora, ainda que as marcas possam criar novos negócios como softwares, aplicativos, wearables entre outros, a criatividade e as pessoas serão cada vez mais importantes. Não há gadget – pelo menos ainda – que substitua o efeito de comunicação de um slogan forte como Just do it.  São diferentes formas de conexão. O fascinante nesse mundo em rede é que cada um pode escolher a sua.

Aqui abaixo um vídeo com um trecho de uma entrevista com Inamoto na qual  ele sintetiza as ideias do artigo.

Rei Inamoto – AKQA – “Thoughts around future of advertising” from Flavia Moraes on Vimeo.

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