Por que assistir ao documentário Mercado de Notícias do Furtado

Um ano depois das manifestações de junho de 2013 quando o papel da imprensa foi questionado nas ruas, o diretor José Furtado destrincha os tabus da imprensa com a sutileza e a sofisticação de um argumento inteligente. Num roteiro que intercala a narrativa em linguagem ficção e documental, a história trafega pela interpretação teatral de uma peça de 1626 de Ben Jonson e pelos depoimentos de grandes nomes do jornalismo brasileiro. Dilemas seculares da comunicação e da comercialização da notícia são ilustrados por personagens simbólicos como a rainha Pecúnia. A disputa pela pecúnia e os dilemas ético, estruturais e funcionais da profissão constroem o argumento de o Mercado da Notícia. É um documentário de tensões, reflexões, crítica e história para quem consome ou produz jornalismo. O debate sobre o modo de fazer jornalismo:  Todo mundo que te passa uma informação tem um interesse, Leandro Fortes, jornalista A dependência e o vício da relação do jornalista com as fontes está exposta em depoimentos sinceros dos veteranos jornalistas entrevistados. O reconhecimento de que toda a fonte tem um interesse próprio para divulgar uma informação e que essa relação é muitas vezes velada. Ainda que o repórter questione qual o seu interesse em divulgar a informação, é papel do repórter identificar os outros lados interessados. Mas como disse renato Lo Prete da folha, ter interesse não significa ser uma má fonte. O dilema ético da profissão: O jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados, Millor Fernandes Furtado trouxe a frase de Millor para colocar em debate o posicionamento dos veículos de imprensa em relação aos governos e partidos políticos. Os jornalistas refletiram sobre o entendimento do termo “oposição” na frase. Um ouvinte pode entender oposição como relação de antítese com governo da situação, outro como a caracterização de uma postura questionadora e desconfiada sobre os fatos. E a pergunta sem resposta é por que os jornais no Brasil não se posicionam politicamente na área editorial, adotando uma posição mais transparente com o leitor. Os erros e a transparência: Parecendo real, nada é verdade, Ben Jonson O documentário narra como um cartaz de U$ 20 vira notícia de capa de jornais do centro do país. A cópia de uma obra de Pablo Picasso foi tratada como se fosse a original, supondo que uma peça milionário residia em uma sala do INSS em Brasília. Usando a linguagem de narrador participativo, ao estilo Michael Moore, Furtado vai até o museu Guggenheim atrás de uma reprodução do quadro original para saber quanto custa e também volta ao prédio do INSS. A provocação deixa os entrevistado desconcertados: por que os jornalistas não desconfiaram antes de publicar? E, depois se serem alertados da cópia, por que não publicaram a correção? A experimentação transmídia O projeto foi construído para cinema, internet e debates em pequenos fóruns. É o mesmo tema abordado com características peculiares de cada meio. No cinema a montagem linear de quase duas horas sintetiza para o grande público o argumento do autor. Na internet, os públicos segmentados encontram extensões de conteúdos usados na produção como a íntegra das entrevistas com os jornalistas. Também foi criado um repositório de pesquisa bibliográfica onde estão postados textos consultados para a construção do roteiro. “E que as pessoas se deem conta de que o jornalismo depende de jornalistas”, Janio de Freitas. Será? Você concorda com o Janio? O documentário estreia em 7 de agosto nos cinemas. Acesse o site do documentário.

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