The Independent conecta leitores e colunistas via Facebook

Para milhares de pessoas, o Facebook é a página inicial do navegador. Os sites dos jornais são visitados diariamente, mas não necessariamente pela capa principal. O jornal The Independent, da Inglaterra, se embedou na lógica de navegação por compartilhamento e encontrou uma solução para estar presente e oferecer um conteúdo direcionado.

A partir de um novo recurso no site do jornal, você pode apertar o botão do “Like” em uma matéria de determinados jornalistas, como de Johann Hari. Além de recomendar aquela leitura aos seus amigos, você passará a receber um alerta no seu Facebook a cada nova notícia publicada por aquele autor.

O recurso é mais um passo para integrar as notícias e o Facebook. Hoje a maioria dos veículos tem a sua “página” na rede social e posta ali alguns tópicos para estimular discussão.  Outros fizeram a experiência de transformar o compartilhamento em uma ferramenta de produção de reportagens, como o Financial Times. Veja que nestes casos a decisão do que publicar é do jornal.

O botão de like nas matérias do Independent dão ao leitor o poder de decidir se quer seguir e receber as demais matérias daquele autor. É parecido com o feed de “RSS”, mas com a vantagem de ser integrado à rede social e personalizado.

Me ajude a investigar

O jornalista britânico Paul Bradshaw criou uma ferramenta independente de jornalismo colaborativo. HelpMeInvestigate é um site simples no qual os usuários fazem provocações ou questionam situações da vida cotidiana e pedem ajuda para resolver.

Os “detetives” do site devem ter um perfil e aceitar o desafio de investigar o assunto. Os questionamentos resultaram em centenas de reportagens construídas a partir da sugestão e apuração dos leitores e dos mediadores.

A lógica é parecida com o Yahoo! Respostas, mas direcionado para a comunidade local de Birmingham, na Inglaterra. Para Bradshaw, esse modelo quebra o tabu de que uma grande reportagem precisa necessariamente ser secreta:

“Journalistas pensam que o jornalismo investigativo deve ser secreto, mas  [HelpMeInvestigate] deve ser visto como propriedade tanto da comunidade quanto dos jornalistas. As pessoas podem contribuir com seu conhecimento sobre determinado assunto e jornalistas sem nenhum recurso pode usar essa ferramenta para pedir ajuda. ”

Outros modelos parecidos de jornalismo colaborativo são FixMyStreet e o TheyWorkForYou, ambos na Inglaterra.

Leia mais sobre o assunto no The Guardian

Vida e morte pela política

Ingrid Betancourt, deputada sequestrada pelas FARC, e Gabrielle Giffords, deputada baleada em Baltimore nos EUA, têm mais do que a política em comum. São mulheres que decidiram dedicar a vida ao bem público e foram levadas a estar entre a vida e a morte. Cada uma no seu caminho enfrenta a violência injustificada na luta por uma causa.

A deputada Gabrielle travou uma batalha a favor da reforma do sistema de Saúde americano, uma das bandeiras do presidente Barack Obama. Na disputa maniqueísta entre democratas e republicanos, até um mapa dos parlamentares que devem ser “eliminados” é divulgado na internet, no qual Gabrielle aparece como alvo. A autoria é atribuída a Sarah Palin, a ex-candidata a vice-presidente na chapa com John McCain em 2008.

Infeliz coincidência ou triste consequência, Gabrielle foi baleada na cabeça durante um evento chamado “‘Congress on Your Corner”, no qual políticos visitam sua comunidade para conversar com os eleitores durante o mandato.

A senadora Ingrid Betancourt era então candidata à presidência da Colômbia quando foi sequestrada pelas Farc em 2002. Ela tentava entrar em uma zona desmilitarizada do sul do país, três dias depois de o então presidente, Andrés Pastrana, cancelar o processo de paz com a guerrilha. Ingrid pretendia demostrar que em seu possível governo haveria negociação de paz e virou objeto de troca nas mãos dos guerrilheiros.

Durante seis anos esteve próxima da morte em vida. Sofreu tortura física e psicológica, foi maltratada, submetida a esforços físicos incompatíveis com sua idade e condição. As inúmeras tentativas de fugas recebiam como resposta a dura punição do isolamento e do castigo.  Os guerrilheiros submeteram Ingrid e outros sequestrados a uma vivência desumana em nome do “socialismo” na Colômbia.

No jogo da política reproduzido muitas vezes nas nossas vidas, a combinação de paixão, interesses individuais e coletivos leva a ações extremas. Na  história homens e mulheres que viveram e morreram por uma causa foram elevados a papéis de martires. Ao visitar a linha entre a vida e a morte, Ingrid e Gabrielle abdicaram de uma vida prosaica e viraram modelos de coragem e bravura.