Recomendação dos seus amigos no supermercado

Há uma mudança em curso na relação entre os consumidores e os produtos à venda no mercado. Erik Qualman chama essa transição de economia das mídias sociais ou “Socialnomics“, título do livro escrito por ele. Neste novo contexto você não precisará mais tomar suas decisões sozinho. No VI Fórum de Internet Corporativa, na PUCRS, em Porto Alegre, Qualman afirmou que a opinião de amigos influencia mais que anúncios tradicionais.

Conhecido pela inovação na edição dos vídeos “Social Media Revolution“, Qualman intercalou a apresentação com muitos números apresentados em ritmo frenético na tela, com uma trilha sonora envolvente. Entre eles, mostrou o resultado de uma pesquisa na qual 78% das pessoas acreditam nas opiniões de seus conhecidos, enquanto apenas 18% acreditam em anúncios. Um dos vídeos entitulado de “Brazil Social Media Revolution”, Qualman traduziu as legendas para o português. Confira:

Um case curioso citado pelo palestrante foi sobre a rede Best Buy nos Estados Unidos. A empresa tem experiência em vendas online, com espaço e estímulo para que os consumidores avaliem os produtos e publiquem sua opinião no site. Os anúncios dos produtos incorporaram avaliações de clientes. E até uma API (Interface de Programação de Aplicações) aberta para programadores pode ser baixada no site da empresa. Ao entender a lógica da recomendação e perceber a satisfação dos clientes, a empresa estendeu a política de “recomendações” para as lojas de tijolo e concreto.

Otimista quanto ao impacto das redes sociais na economia, Qualman acredita que a política de recomendação social deva ser ampliada ao mercado em geral. Ele criou uma situação futurística na qual você poderá com o seu celular apontar para um produto no supermercado, acessar a sua rede de amigos e ficar sabendo a opinião daqueles que já realizaram a compra. Mesmo que você vá sozinho ao supermercado, com o seu celular em mãos você estará com centenas de seguidores ao seu lado.

A questão é polêmica porque coloca em discussão a privacidade dos usuários das redes sociais. Até que ponto o Facebook pode se apropriar dos seus dados, informações e histórico de acessos para te oferecer produtos ou repassar a terceiros a sua preferência? Não é possível afirmar se essa revolução transformará todos nós em reféns das mídias sociais, mas se até o Papa já aderiu, pecado não é.

Leia mais sobre a palestra de @equalman no blog Conexão ZH de @babinickel

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A economia das redes sociais

Porto Alegre vai receber na semana que vem o autor do livro Socialnomics, Erik Qualman (@equalman). Ele vai participar do XI Fórum de Internet Coporativa que neste ano vai abordar os novos hábitos de consumo das classes populares, na esteira do crescimento do acesso à internet e da presença cada vez maior dos diferentes públicos em redes sociais.

Qualman mostra que as redes sociais alteram o mundo dos negócios e que a reciclagem e transformação dos negócios passa pelo conhecimento da nova realidade. O vídeo abaixo mostra um pouco do que o autor prega nas suas palestras e no seu livro.

O original do vídeo foi produzido em inglês e a versão em português abaixo possui pequenos erros de tradução e gramática.

Jornalismo na esteira do sistema

Apesar de ser um filme sobre a violência da sociedade, corrupção policial e a promiscuidade de interesses políticos, Tropa de Elite 2 questiona também o papel e os limites do jornalismo.  Coadjuvante no roteiro, a jornalista Clara, interpretada por Tainá Muller, levanta dilemas da profissão de repórter. Ao questionar o “sistema”, o custo do furo de reportagem pode ser alto demais, a ser pago com a vida.  Difícil é discernir uma informação “plantada” por lobby ou relegada por “interesses de grupos” de uma de interesse público. Ainda mais se o jornalista estiver no papel de leão do circo, hora serve ao espetáculo, hora ameaça.

Uma entrevista “para jogar merda no ventilador”, quando Mathias (André Ramiro) decide criticar o governo do Estado pela situação de carnificina nos presídios do Rio de Janeiro, foi o primeiro texto publicado pela jornalista. Resultado: capitão Mathias acaba preso e fora do BOPE.

Quando Clara descobre, após entrevista com um delegado, os verdadeiros culpados pelo roubo de armas da polícia em um dos morros cariocas, o jornalismo é alçado a protagonista no roteiro de José Padilha. A investigação da repórter, com o auxílio de um deputado, desmascarava o esquema de milicianos (policiais corruptos), os verdadeiros substitutos dos traficantes no poder paralelo dos morros.

Corajosa, a jornalista descobre mais do que o necessário para ganhar capa do jornal e vira queima de arquivo, junto com seu fiel fotógrafo.  O deputado vai até o jornal e cobra a publicação da reportagem, mas ouve um estereotipado editor “vendido” dizer que não publicará porque tem “boas relações” com o governo.

Após uma gravação da escuta do telefone de Clara minutos antes de morrer ser divulgada pela Assembleia Legislativa, não há mais o que encobrir. O jornalismo, o Legislativo e o Capitão Nascimento expõem à sociedade a relação espúria entre polícia, governo e eleições.

Mesmo com o circo armado, a democracia brasileira reelege os governantes, atenua os crimes, relativiza as responsabilidades e a vida em sociedade prossegue sem sobressaltos até o próximo furo de reportagem “abalar o sistema”. O jornalismo resistirá.

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