Sola de sapato como souvenir

* texto publicado na página Recortes de Viagem, no Caderno Viagem de Zero Hora

Carrego uma máxima na bagagem: quanto mais sola de sapato se gasta, mais a viagem é absorvida pelo turista. Por isso, o tênis é item obrigatório. Foi ele que me levou degrau a degrau até o alto da Torre Eiffel em Paris. Ao chegar ao Campo de Marte (Champ de Mars) e deparar com uma fila que fazia várias voltas para embarcar no elevador, a decisão de subir de escada foi imediata. Além de custar mais barato, a visita seria mais intensa.

À medida que avançava pela estrutura de ferro do século 19, sentia o vento e a liberdade de estar longe da terra firme. O cansaço e a ventania que enredava meus cabelos eram amenizados com a boa conversa da minha anfitriã, uma franco-brasileira que visita a torre como eu a Usina do Gasômetro.

Ao passo que ganhávamos altitude, íamos absorvendo drops de história. Uma série de cartazes relata em textos curtos a sorte de Gustave Eiffel, arquiteto vencedor do concurso internacional para a construção da torre em comemoração aos cem anos da Revolução Francesa, em 1889. E pensar que, seguido à risca o regulamento, a obra seria destruída 20 anos depois da construção. Só não foi porque a estrutura serviu de suporte para antenas de rádio e televisão.

Já no alto, o vislumbre da paisagem se impõe. Museu do Louvre, Catedral de Notre-Dame, Grand Palais, Petit Palais, Arco do Triunfo, Champs Elysées e obelisco podiam ser apreciados a olho nu. Aos curiosos, o mirante oferece novos contos para leitura. Entre as histórias ou lendas, um elefante que subiu ao primeiro piso, um equilibrista que cruzou o Sena a partir da torre e tantas outras pessoas que competiram na prova de subida em velocidade.

A Eiffel, símbolo de ousadia, atrai os corajosos que, como eu, gostam de ultrapassar limites. O meu foi vencer a subida e ser recompensada pela vivência. De lambuja, trouxe para casa como souvenir a sola do tênis que chega a estar deformada de tão gasta.

Principais tendências do jornalismo

Visão geral – Projeto de Excelência em Jornalismo

Nos últimos anos tentamos identificar as principais tendências emergentes para os próximos anos, e muitos das quais ainda se aplicam hoje. Para 2010, queremos enfatizar seis pontos.

Economia da web e a notícia – Porque nós aprendemos mais sobre a economia da Web e comportamento do consumidor, a separação da notícia parece cada vez mais central para o futuro do jornalismo. Pegar o velho modelo de jornalismo das organizações noticiosas, tendo as receitas de uma operação social – a venda de imóveis, automóveis e produtos de mercearia ou caça de trabalho, por exemplo, – e usá-lo para acompanhar a vida cívica – que abrange coberturas do poder público e condução de reportagens investigativas.

Editores reúnem uma vasta gama de notícias, mas a popularidade de cada história era subordinado ao seu valor, e à audiência global, do todo. E o valor da história pode ser encontrada em sua conseqüência e repercussão e não a sua popularidade. Esse modelo está quebrando.

No online, é cada vez mais evidente, os consumidores não estão procurando novas organizações para a sua agenda de notícias. Eles estão caçando as notícias por assunto e por eventos de várias fontes. Isso está mudando as finanças e a cultura das redações. Quando o ganho econômico está intimamente ligado à cada história, qual é a justificativa para cobertura de jornalismo cidadão que traz repercussão, mas tem um interesse limitado?

Os dados também estão começando a mostrar uma mudança de interesse no noticiário local em direção a temas mais nacionais e internacionais, as pessoas têm mais acesso a essa informação, que pode ter outros efeitos sobre a dinâmica local.

O futuro de novas e velhas mídias são mais amarrados do que alguns podem pensar. Um novo estudo universitário divulgado em relatório constata que mesmo os melhores sites de novos meios de comunicação no país ainda têm capacidade limitada de produzir conteúdo. Sem dúvida, eles vão evoluir. No entanto, sua capacidade jornalística, em última análise, ainda dependerá de encontrar um modelo de receita muito maior do que o que existe hoje, ou que se prevê vir de publicidade on-line convencional. Embora existam alguns valores concorrentes e diferentes culturas jornalísticas, no final, novas e velhas mídias enfrentam o mesmo dilema e pode ser muito mais alinhados na busca de receitas do que muitos pensaram. Em alguns casos, haverá alianças formais ou de redes de meios novos e antigos.

Um conceito que vai receber mais atenção é colaborações da velha mídia e dos cidadãos no que alguns chamam de um “pro-am” (profissional e amador) modelo para a notícia. Contudo, as organizações de notícias tradicionais precisam aprender como lidar com essas parcerias, as regras para o que é aceitável e o que não é, permanecem largamente desconhecidas.

A noção de que os meios de comunicação estão diminuindo está equivocada. Jornalismo de reportagem está ficando menor, mas o comentário e aspecto de discussão da mídia, que acrescenta a análise, a paixão e a construção de uma agenda pública, está crescendo – no cabo, rádio, mídia social, blogs e outros lugares. Para toda a atividade robusta lá, no entanto, os números sugerem ainda que esses novos meios de comunicação são amplamente preenchidos com debate provenientes da erosão da base da informação que começou nos meios de comunicação antigos.

Nossa análise em curso de mais de um milhão de blogs e sites de mídia social, por exemplo, constata que 80% dos links são para a “mídia” tradicional dos EUA. O único setor da mídia com números de audiência crescente é o cabo, um lugar onde a parte do leão dos recursos são gastos em máquinas de opinião. Dados das pesquisas mostram que 72% dos americanos sentem agora que a maioria das fontes de notícias são tendenciosas em coberturas e 70% se sentem bombardeados com notícias e pouco informados sobre o que leem. Quantitativamente, o desafio é argumentação em vez de expansão do leque.

Tecnologia está mudando o “poder” dos jornalistas, e a forma mais recente delas é através do domínio da “initial accounts” (primeiras informações). Pelo menos por enquanto, a tecnologia digital está dando mais ênfase e recursos para as últimas notícias. Redações encolhidas estão requisitando ao seu pessoal mais tempo para dar as primeiras notícias com mais rapidez e para múltiplas plataformas. Isso concentra mais tempo na divulgação de informações e menos na apuração, tornando os jornalistas mais reativos e menos pró-ativos. Há também um fenômeno em que as primeiras notas de jornalistas – seus releases e comunicados de imprensa – fazem um caminho direto para o público, sem filtro, às vezes, textualmente. Essas primeiras notas, escritas por fontes oficiais, em seguida, podem se espalhar rapidamente de forma mais ampla agora, através do poder da Internet para disseminar, ganhando uma velocidade que antes não tinha. Isso é seguido rapidamente por comentários na web. O que é suprimido é a informação complementar e de contexto sobre os eventos. Nós vimos isso claramente em um estudo da notícia, em Baltimore, mas a percepção é reforçada em discussões com jornalistas.

A produção de notícias de interesse próprio cresce rapidamente e as organizações de notícias deve definir sua relação com ela. As redações ficam menores, o leque de não-jornalistas que inserem as informações e notícias está crescendo rapidamente. Empresas, grupos de reflexão, ativistas, governo e políticos. Algumas instituições estão frustradas com a redução do espaço na mídia convencional e da ausência de especialistas para cobrir determinada área do conhecimento. Outros são partidários têm interesses políticos a fim de explorar uma oportunidade de contraponto ao jornalismo. Há vários graus de transparência nesses esforços sobre o financiamento e intenções. Alguns são bem claras. Outros apresentam-se como puramente jornalístico e independentes, quando na verdade eles são financiados por ativistas políticos, aprofundando o olhar nos conteúdos  pode-se fazer referência à agenda e ao financiamento. Em uma época onde a vinculação e agregados fazem parte do jornalismo, novas organizações devem decidir como querem interagir com este grupo crescente de produtores de informação com interesses. Será que vão pegar esse material e divulgá-las? Eles podem, eventualmente, a policiá-los? Eles podem se dar ao luxo de ignorá-lo? A única certeza é que estes novos jogadores estão cada vez mais disputando o público e a atenção da mídia, e seus recursos, ao contrário do  jornalismo  tradicionais, estão crescendo.

Quando se trata de números de audiência online, conteúdo damídia tradicional ainda prevalece, o que significa que os cortes na velha mídia impactam no que o público está aprendendo através das notícias. Uma análise no relatório deste ano do comportamento da audiência online, extrapolada a partir de dados da Nielsen Net Ratings, constata que 80% do tráfego para sites de notícias e informação é concentrada nos 7% de top sites. A grande maioria dos sites de notícias de topo (67%), aliás, ainda estão vinculados aos meios de comunicação tradicionais, financiados em grande parte pelos cortes no próprio negócio.1 Novos meios de comunicação estão crescendo, mas a suas posições nos ranking de audiência ainda são ainda pequenas. Outros 13% destes sites são os agregadores de notícias, cujo conteúdo é derivado das mídias tradicionais. Apenas 14% destes sites são operações somente  de conteúdo original. Em suma, os cortes na velha mídia estão afetando drasticamente a mídia não só tradicional, mas tem um impacto no conteúdo online também.

Bomba Google diz que Dilma é… mentirosa e terrorista

Experimente digitar “Dilma é” no campo de pesquisa do Google. O buscador preenche de cara com duas opções: mentirosa e terrorista. Essa “brincadeira” já havia sido feita com o Grêmio que era preenchido com “é gay”. Outro resultado provocador é quando se digita “mentiroso” e o primeiro resultado é o perfil do Lula na wikipedia.

Com os resultados automatizados a partir de um algoritmo complexo, o Google admite que pode haver “tentativa de manipular temporariamente os resultados do Google empreendido por um grande número de usuários da internet “. As chamadas “Bombas” são armadas por usuários e a empresa afirma que não interfere por elas terem caráter “humorístico ou político”.

O Grêmio não dormiu no ponto e eliminou rapidamente a associação do time à palavra gay. Não sei se a equipe da presidência já percebeu essa distorção, mas seria útil em um ano eleitoral Lula e Dilma aprenderem a desarmar bombas.

Qual o limite da publicidade nos jornais?

Na última sexta-feira o Los Angeles Times rodou com uma sobrecapa publicitária. Era o anúncio do novo filme com Johnny Depp, Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton.

A sobrecapa em si não surpreende, mas manter o cabeçalho do jornal e ao fundo notícias já publicadas naquele espaço me pareceu tresloucado.

O cabeçalho é uma identidade visual ligada a notícias, abaixo do cabeçalho estão as manchetes consideradas mais relevantes na hierarquia editorial do jornal.

Tal imprudência pode colocar em xeque a credibilidade da capa de grandes jornais? Confesso que me incomodou. É a velha briga entre o espaço publicitário e o editorial. A disputa tem um favorito.