Uma leitura dupliplusbom

Capa mais difundida do romance de Orwell

Winston Smith vive na Oceania, país dominado pelo Partido Ingsoc que controla todos os membros através de teletelas instaladas ao longo da cidade de Londres, cenário do romance 1984, de George Orwell. O partido é onipotente na política, na produção cultural, na construção da história, no controle da libido (ou proibição do sexo mesmo), e na criação de uma língua própria, a Novilíngua. O partido também pretendia manipular a memória da população.

Controlar comportamentos, reações e falas seria possível com vigilância, mas como controlar a memória? O Grande Irmão, codinome do partido, acreditava ser possível deletar todo o passado queimando documentos e convencer a população que fatos reais nunca existiram. Afinal, se todos aceitassem a versão do partido, então a mentira se transformaria em verdade.

O trabalho de Winston era esse. Ele queimava a história, ao bel-prazer do Partido. Registro de jornais, livros, fotografias tudo era incinerado. Para o autor, a invenção da imprensa tornou mais fácil a manipulação da opinião pública. Orwell escreve que com a televisão, o progresso técnico tornou possível receber e transmitir simultaneamente pelo mesmo instrumento. “A vida particular acabou”.

Foi o que aconteceu com Winston. Cansado de deletar fatos da memória, um dia ele decidiu escrever um diário, se apaixonar por uma mulher mais jovem e alugar um quartinho para o encontro dos dois.  Cometeu crimidéia (crime contra o Partido em Novilíngua) e se tornou um perseguido pelo Partido.

Como nas mais duras ditaduras da vida real, Winston foi torturado a ponto de ficar desfigurado e ceder, confessar, endurecer. Foram anos de reclusão e isolamento. Foi solto, após passar por uma lavagem cerebral. Mesmo assim, Winston não se empolgava com as vitórias do Partido.

Num dia as teletelas trouxeram o aviso de que a Oceania vencera a guerra. Membros do Partido comemoravam, Winston tomava gim e jogava xadrez. Após a tortura, Winston aprendeu regras do partido, compreendeu que era preciso obedecer e aceitou a sua condição de membro. Mas para ele o Partido não deixara de ser dupliplusimbom (im é o prefixo para negação e dupliplus é o superlativo). De fato, ele nunca entendeu a força de almasentir, a aceitação cega e entusiasmada. O amor ao Partido, Winston só alcançou no final, quando o Ingsoc desistiu dele.

Serviço:
Título: 1984
Gênero: Ficção
Autor: GEORGE ORWELL
301 páginas

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