Por que ler Cultura da Convergência?

Primeiro os profissionais de comunicação se tornaram multimídia. Depois foram os veículos que se transformaram de múltiplas plataformas para uma plataforma múltipla. Em Cultura da Convergência, o professor do MIT, Henry Jenkins, descreve uma nova era em que a mudança deixa de ser tecnológica ou empresarial, para ser CULTURAL.

Esse processo começou com a vida digital descrita por Nicholas Negroponte em que o era reduzido a átomos se transformaria em bytes. A ideia de Negroponte era a de que a revolução digital era inevitável e imponente. Ithiel de Sola Pool, cientista político do MIT, considerado o profeta da convergência, enxergou um período de transição, que segundo Jenkins estamos vivendo agora.

“Estamos em uma era de transição midiática, marcada por decisões táticas e consequências inesperadas, sinais confusos e interesses conflitantes e, acima de tudo, resultados imprevisíveis”

De concreto o livro aponta algumas mudanças: tecnologias obsoletas, participação ativa do público, migração de conteúdo. Elas resultam em estratégias transmídias, que permeiam mais de um veículo de comunicação.

Fita cassete, disquete e vinil são tecnologias em desuso, mas os conteúdos que eram transmitidos por meio delas sobrevivem. O que alterou foi a tecnologia de distribuição. Hoje as pessoas usam  arquivos de mp3, pendrives e players digitais para consumir música, texto, filmes.

A audiência que na teoria da comunicação de massa era passiva, agora é ativa. A escola de Frankfurt por meio de conceitos como a cultura de massa e da indústria cultural desenhou uma sociedade com referências transformadas em mercadorias. Especificamente na área do jornalismo, Max McCombs e Donald Shaw desenvolveram a Teoria do Agendamento, segundo a qual a mídia é exitosa em dizer às pessoas sobre o que pensar. Desenvolvida na década de 70, ela considera a força dos gatekeepers naquela época.

Hoje, o público não se contenta com os assuntos que a mídia sugere que eles pensem. Com o impulso da internet, não há mais limites para definir o que é pauta e o que deve ser ocultado. A divulgação de fatos está ao alcance de um clic.

Para Dominique Wolton, os veículos de massa (rádio e TV) e a internet são formas de comunicação diferentes e complementares. Entusiasta da televisão, o sociólogo francês acredita que ela estimula a democracia e o questionamento da audiência. Já a internet estaria voltada aos serviços individuais de informação, ao lazer.

De fato,  Jenkins mostra em exemplos reais o diálogo entre mídias. O livro Harry Potter virou filme que se transformou em uma comunidade na web, onde fãs escrevem suas próprias histórias.  O game de múltiplos jogadores Alphaville, onde uma sociedade paralela foi constituída, suscitou um debate sobre as eleições na cidade virtual na NPR, a Rádio Nacional dos EUA.

O que o autor pretende mostrar é que a mídia alternativa diversifica e a mídia de radiodifusão amplifica. Sem a TV, Jornal e Rádio não teríamos comunicação social, mas apenas fragmentos culturais. Convencido? Irritado? Revoltado? Então faça a sua leitura e tire conclusões próprias. Fica a dica.

Serviço
Cultura da Convergência
Autor: Henry Jenkins
Páginas: 428
Preço: R$50

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