Avatar: novo marco para a hiper-realidade na ficção científica

O que Jean Baudrillard diria sobre Avatar, o filme? Sociólogo francês, ele foi um dos teóricos da hiper-realidade . Para ele não existe uma verdade, mas a representação que a sociedade de consumo faz dela. Foi com seus conceitos que Baudrillard rejeitou o título de inspirador do clássico da ficção científica Matrix. O filme dos irmãos Wachowski chega a inserir o livro Simulações e Simulacros em uma das cenas. Mesmo assim, o sociólogo afirma que Matrix…

”  O fato é que Matrix faz uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade. Os diretores se basearam em meu livro Simulacros e Simulação, mas não o entenderam. Prefiro filmes como Truman ShowCidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente. Nos dois filmes, minhas idéias estão mais bem aplicadas. Os Wachowskis me chamaram para prestar uma assessoria filosófica para Matrix ReloadedMatrix Revolutions, mas não aceitei o convite. Como poderia? Não tenho nada a ver com kung fu.”

De fato, Matrix reproduz um ambiente irreal, mas ele foi sem dúvida uma marco no cinema mundial, pois retrata um mundo tomado pela tecnologia dos bits e bytes. James Cameron com Avatar aparentemente não teve a intenção de  reproduzir uma hiper-realidade leal ao conceito dos teóricos, mas conseguiu construir uma linha tênue entre o real e a ilusão com o soldado Jake.

A certa altura do filme o personagem entra em conflito sem saber ao certo quem ele realmente é: o Jake soldado ou o Jake avatar.  Difícil analisar essa hiper-realidade visto que o experimento ao qual Jake é submetido é surreal.

Os filmes elogiados por  Baudrillard, Cidade dos Sonhos e Show de Truman, iludem o espectador a pensar que as situações são reais quando não passam de representações da verdade.

Talvez Baudrillard ignorasse Avatar em vida ou talvez o definisse como um não-acontecimento. Ou seja, um filme que é lançado para que se fale nele e se deixe de falar na real destruição do meio ambiente. Algo como a Guerra do Iraque, que um “não-acontecimento” para encobrir o 11 de setembro.

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