Pierre Lévy e a construção do jornalismo coletivo

Quando Pierre Lévy falou em inteligência coletiva (IC), na década de 90, ele ilustrava uma lógica que é própria do veículo internet: o compartilhamento.  A noção de IC foi desenvolvida por zoologistas. Há uma IC dos formigueiros, das abelhas, das colmeias. Animais que individualmente não são muito inteligentes, mas em conjunto conseguem fazer coisas complexas. A minha informação, mais a sua e a do outro resultam em conhecimento sobre alguma coisa ou alguém. Esse conceito, ainda mais atual hoje, explica o crescimento das redes sociais na web.

A curta história da internet é dividida por muitos, inclusive pelo seu criador, Tim Berners-Lee, em três gerações: web 1.0, de produção de conteúdo por um especialista, web 2.0, de co-produção de conteúdo e diálogos, e a web do futuro, que pretende ser um veículo mais inteligente, pelo menos em eficiência de resultado de buscas.

É na segunda geração que os sites wiki nasceram. A wikipedia, uma enciclopédia feitas por muitos, foi o seu grande propulsor. A popularização dos blogs, com o pioneiro Blogger, facilitou o acesso através de interfaces amigáveis, que não exigem conhecimento de linguagem html. As redes sociais interligaram estes produtores de conteúdo anônimos.  No Brasil, o site de relacionamento Orkut marcou essa revolução social. Foi quando a audiência percebeu que tem o poder de “responder”, “criticar”, “comentar”, e, principalmente, “produzir”.

Os meios de comunicação, acostumados a mostrar e serem vistos, agora são assolados com milhares de vozes simultâneas.  Saber ouvir e dialogar é o grande desafio dos jornalistas que até então pautavam os diálogos das sociedades como vozes soberanas. O impacto é um aprendizado em um mar revolto. É durante as tempestades que o verdadeiro marinheiro aprende a velejar.

Moral da história: resistir às novas tecnologias é regredir à galáxia de Gutenberg. Segundo o próprio Lévy, que palestrou nesta segunda-feira na PUCRS, os recursos que a web oferece hoje nos fazem compreender a noção de compartilhamento, mas “estamos muito no início da Inteligência Coletiva. Estamos na pré-história e muitas coisas ainda virão.”

Outras reflexões sobre o impacto das mídias sociais no jornalismo:

Reinventar o jornalismo ou o jornalista por Alec Duarte
Redes sociais, vieram para ficar? por Beatriz Sartorio
Dia em que o jornalista tinha a palavra final por Daniel Jelin
Pierre Lévy, Google e Web Semântica por João Paulo

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2 comentários sobre “Pierre Lévy e a construção do jornalismo coletivo

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