Lula blogueiro entra no ar

Demorou, mas o presidente Lula entrou para a blogosfera na carona do blog da Petrobras, Fatos e Fotos. O primeiro texto do Blog do Planalto dá uma pista do objetivo da equipe formada por sete assessores, entre eles, Franklin Martins.

“Acreditamos que este é apenas um primeiro passo para estabelecermos um diálogo cada vez mais próximo e informal entre governo e sociedade.”

Parece que o governo federal acordou para o potencial da internet, como ferramenta de relações públicas. Mas não entendeu bem a linguagem do compartilhamento: os posts não são abertos a comentários e nem serão escritos pelo presidente.

Alguém duvida que os textos tenderão a exaltar as ações, programas e políticas do governo como um veículo de marketing político? Ou seja, os blogs dos órgãos públicos não irão substituir a mediação dos jornalistas.

Uma reflexão sobre esta tendência foi feita pelo jornalista Marcelo Trasel.

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Ranking dos tuiteiros de Porto Alegre 2

Fazer rankings é uma prática bem divertida. Na internet, as matérias cinco mais, dez mais ou top qualquer coisa entram na lista de bem lidas rapidinho. Isso porque todos querem saber quem é o melhor. Tá, eu sei, “melhor” precisa ser definido em uma classificação. Melhor em quê?

O meu post abaixo foi um tanto impreciso. Para compensar, iluminada por Alec Duarte, refiz a lista dos “dez mais” tuiteiros de Porto Alegre no Twitter Grader. O site dá nota até 100 aos tweeters considerando um algoritmo. Pesquisei por “Porto Alegre, RS” e o Alec por “Porto Alegre, Brasil”.  Os resultados ficaram um pouco diferentes, mas me parecem mais pertinentes que os resultados do Twitterholic.

O cálculo utilizado pelo Grader considera cinco fatores: número de followers, poder dos followers (ter um seguidor com nota maior pesa), atualizações, frequência de uso, proporção de seguidores e seguidos, retuitadas (para medir envolvimento).

Na pesquisa por “Porto Alegre RS”, o Piangers (primeiro colocado) e a Zero Hora se mantiveram entre os cinco mais. Clique na imagem abaixo e confira:
twittergrader

Na pesquisa feita pelo Alec Duarte que considerou “Porto Alegre, Brasil”, a Zero Hora cai para sétima colocação e o Piangers para a quarta. Por outro lado, se faz justiça com o abduzeedo Fábio Sasso que entra em segundo. O primeiro colocado é o Haznos, um site bem legal feito por uma gurizada de vinte e poucos.
twittergrader2

E a Gisele Ramos que apareceu entre os dez mais do twitterholic? Gisele e seu blog Necessaire estão em 18° e 25° , respectivamente.

Os dez maiores tweeters de Porto Alegre

O site twitterholic faz um ranking dos usuários do Twitter por número de usuários. Eu, por exemplo, sou a usuária número 107 no ranking de Porto Alegre. Dos dez mais com a mesma referência, três são da RBS: Marco Piangers, Zero Hora e o blog Necessaire da Gisele Ramos!

twitterholic

A lista dos dez mais em POA pesquisada no dia de hoje (na foto o link pra pesquisa):

1. marcos piangers (piangers)
2. Zero Hora (zerohora)
3. Gisele Honscha (giseleh)
4. Carlos Idiart (Idiart)
5. guadalupe (guadalupe)
6. L@ra (larafotos)
7. Baguete (baguete)
8. edu k (edukeduk)
9. Deise Vitoria Farias (deisevitoria)
10. Gisele Ramos (giseleramos)

Quer experimentar em que posição está o seu perfil entre os usuários do Twitter? Então entra lá no Twitterholic!

Como bem observou o AlecDuarte os dados estão um pouco desatualizados, mas é legal conferir lá.

Micro, médio e macro blogging

As redes sociais vieram para ficar e são muitas. A cada semana tem uma nova no mercado de ferramentas coletivas. Cada uma tem a sua função e objetivo. A pioneira Orkut, do Google, era uma forma de encontrar e fazer amigos, um perfil mais particular, uma espécie de “exibição” da vida real no mundo virtual. O Facebook seguiu na mesma linha, mas incorporou um perfil mais profissional. Flickr é para fotos. Delicious para favoritos. YouTube para vídeos. Depois vieram muitos que se adaptaram a determinados grupos e culturas de acordo com particularidades: FriendFeed, LinkedIn, MySpace, Via6, Ning, Digg etc.

A rede da moda é o microblog  Twitter, uma mensagem em 140 caracteres, no máximo. É um fenômeno que para alguns significa uma nova linguagem na internet que deixa os blogs parecerem “tão 2004“, como publicou Paul Boutin na Wired no ano passado. Como toda boa polêmica, Andrew Sullivan contrapõe Boutin. Sullivan acredita que a blogsfera permite uma linguagem mais literária e livre para jornalistas se expressarem e dialogarem de forma nunca vista ou entendida antes.

Na carona do microblog Twitter, o site espanhol Soitu lançou um “medioblog” chamado Utoi, com no máximo 280 caracteres. O site é uma forma de fidelizar o público, já que cada usuário também constroi  um perfil no portal. Mas a ironia com a moda da hora é o macroblog Woofer, que desafia o usuário a escrever um texto com 1400 caracteres. Em oposição ao “pio” do twitter, o woofer propõe que o usuário faça um latido. A disputa é por quem latirá mais alto…

Pierre Lévy e a construção do jornalismo coletivo

Quando Pierre Lévy falou em inteligência coletiva (IC), na década de 90, ele ilustrava uma lógica que é própria do veículo internet: o compartilhamento.  A noção de IC foi desenvolvida por zoologistas. Há uma IC dos formigueiros, das abelhas, das colmeias. Animais que individualmente não são muito inteligentes, mas em conjunto conseguem fazer coisas complexas. A minha informação, mais a sua e a do outro resultam em conhecimento sobre alguma coisa ou alguém. Esse conceito, ainda mais atual hoje, explica o crescimento das redes sociais na web.

A curta história da internet é dividida por muitos, inclusive pelo seu criador, Tim Berners-Lee, em três gerações: web 1.0, de produção de conteúdo por um especialista, web 2.0, de co-produção de conteúdo e diálogos, e a web do futuro, que pretende ser um veículo mais inteligente, pelo menos em eficiência de resultado de buscas.

É na segunda geração que os sites wiki nasceram. A wikipedia, uma enciclopédia feitas por muitos, foi o seu grande propulsor. A popularização dos blogs, com o pioneiro Blogger, facilitou o acesso através de interfaces amigáveis, que não exigem conhecimento de linguagem html. As redes sociais interligaram estes produtores de conteúdo anônimos.  No Brasil, o site de relacionamento Orkut marcou essa revolução social. Foi quando a audiência percebeu que tem o poder de “responder”, “criticar”, “comentar”, e, principalmente, “produzir”.

Os meios de comunicação, acostumados a mostrar e serem vistos, agora são assolados com milhares de vozes simultâneas.  Saber ouvir e dialogar é o grande desafio dos jornalistas que até então pautavam os diálogos das sociedades como vozes soberanas. O impacto é um aprendizado em um mar revolto. É durante as tempestades que o verdadeiro marinheiro aprende a velejar.

Moral da história: resistir às novas tecnologias é regredir à galáxia de Gutenberg. Segundo o próprio Lévy, que palestrou nesta segunda-feira na PUCRS, os recursos que a web oferece hoje nos fazem compreender a noção de compartilhamento, mas “estamos muito no início da Inteligência Coletiva. Estamos na pré-história e muitas coisas ainda virão.”

Outras reflexões sobre o impacto das mídias sociais no jornalismo:

Reinventar o jornalismo ou o jornalista por Alec Duarte
Redes sociais, vieram para ficar? por Beatriz Sartorio
Dia em que o jornalista tinha a palavra final por Daniel Jelin
Pierre Lévy, Google e Web Semântica por João Paulo