Preconceito no Twitter?

O humorista Danilo Gentili postou uma frase enigmática no microblog Twitter: “King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?”

perfilgentiliA frase foi interpretada pelos tuiteiros de plantão como ofensiva e provocou um debate na rede social.  Gentili é apresentador do CQC da Band. O que ele fala e escreve tem repercussão muito maior do que um tuiteiro com um círculo de amizades restrito. Talvez sem consciência da influência que ele exerce para seu público (ele tem 175.434 seguidores hoje), o  humorista primeiro defendeu a frase e depois tentou explicar:

Justificativa: “Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de viado e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados. Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado”, escreveu no blog pessoal.

Explicação: “Reparem: na piada do KingKong nao disse a cor do jogador. Disse q loira saiu c/ cara pq e famoso. A cabeca de vcs q tem preconceito hein”, tuitou depois da polêmica.

A emenda parece ter piorado a percepção do público e o caso foi encaminhado ao Ministério Público. A Folha de São Paulo informa  que o MPF em São Paulo analisa se houve discriminação racial do comunicador.

Discriminação racial é crime na esfera privada e pública, mas se fosse uma pessoa pouco conhecida que tuitasse a frase também estaria em avaliação no MPF e suscitando esse debate?

O metrô de São Paulo e as formigas rumo ao lar

Os paulistanos de coração dizem que não é ruim viver em São Paulo. Basta morar e trabalhar próximo a uma estação do metrô. Eu acrescentaria mais uma condição: não depender do trem às 19h num dia de semana. Não em direção à Estação da Sé.

metroJá andei em vagões cheios, talvez até lotados, mas, pela primeira vez, me senti prestes a ser enlatada. Estava na estação São Joaquim, para seguir em direção a Tucuruvi, com um paranaense de Pato Branco, meio gaúcho, um pouco catarina, com um coração goiano, o Luiz Fernando. Ou seja, não bastava enlatar uma sardinha, éramos duas.

Passou a primeira composição e parou, portas abriram e nenhum movimento, nem de entrada, nem de saída. Passou a segunda, e a aflição de estar prestes a disputar meio metro quadrado na lata, aumentou. Mas ainda não tomamos coragem.

Foi a quarta composição que decidimos encarar. Seguimos assim: um pé no trem, o outro na porta, sem ter onde segurar, dançando o ballet do freia e acelera. Na Estação da Sé, as portas abrem e as pessoas viram formigas, milhares rumando na mesma direção: o lar. Porém com aquela certeza do final de cada jornada na maior metrópole do país: amanhã tem mais.