Jornalismo controla os instintos selvagens dos homens

Empresas de mídia mantêm o status quo de um sociedade. Essa frase sempre me causou revolta. Quando era estudante de jornalismo discordava, veementemente. Hoje tenho lá minhas dúvidas. Principalmente porque manter um certo grau de civilidade em uma sociedade doente é uma função social gratificante. E árdua.

O leitor pode dizer: “você está confundindo civilidade e status quo, não são sinônimos”. É verdade. O status quo é uma expressão latina para o estado atual das coisas. A civilidade é a aceitação e cumprimento de normas estabelecidas para a convivência harmônica entre os iguais. 

A nossa constituição diz o quê? Artigo 5º, Direitos Fundamentais: “Todos são iguais perante a lei” . Na interpretação do nosso judiciário, esse artigo significa que a igualdade se constitui em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. O conceito delineado por Rui Barbosa é usado para julgar pautas como cotas raciais e sociais em universidades.

A igualdade entre iguais e a civilidade são interdependentes e juntas mantêm o funcionamento de uma sociedade (status quo). O jornal quando estampa na capa um assassino está dizendo para a população que aquilo é transgressão. Quando mostra que homem comete crime por ciúmes, ensina que é errado. Se denuncia corrupção, lembra que as leis são descumpridas. Pelo menos na teoria. Eu sei que sempre haverá um terapeuta para questionar.

Na natureza humana, se não houvesse regras e limites estabelecidos, os instintos selvagens do homem se sobrepujariam e o caos estaria instalado na sociedade, por isso para Thomas Hobbes existe a necessidade de contrato social. Assim, a mídia ajudaria a manter a ordem social, constatação que hoje até me provocaria algum orgulho. Isso se eu conseguir convencer a estudante da Famecos da década de 1990.

ps. post inspirado no repóter Humberto Trezzi que acredita, como Hobbes, que “a civilidade controla os instintos humanos, e o homem é selvagem por natureza”

Anúncios

Um comentário sobre “Jornalismo controla os instintos selvagens dos homens

  1. Não acredito que o homem seja “mau” por natureza. O homem é apenas… humano. Um macaco pelado, caçador, cultural, territorial e social – mas ainda animal.

    O “bom” e o “mau” só surgiram depois que foram estipuladas regras “anti-naturais” para tornar possível a vida em sociedade.

    Sem essas regras, como já disse o bom Hobbes, o mundo cairia na barbárie – numa distopia mais ou menos parecida com o Brasil de hoje.

    O único problema do Estado-monstro criado para arbitrar os conflitos entre os “lobos” é que esse Leviatã é administrado justamente pelos “lobos” que pretende regular. Como fugir disso?

    Asimov lançou, em “Eu, Robô”, a candidatura de uma máquina para administrar o mundo. Será uma escolha sensata?

    Aliás, sou hobbesiano de carteirinha.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s