“O labirinto da internet”

O jornalista e consultor político João Santana, 56 anos, escreveu na Folha de S. Paulo de hoje um artigo sobre o projeto de lei que pretende regular as eleições na web. Ele já coordenou o marketing da Marta Suplicy em 2008, além de três campanhas presidenciais, no Brasil (Lula em 2006), na Argentina e em El Salvador e vê com preocupação a aprovação da proposta. Abaixo destaco alguns trechos:

“Os deputados decidiram errar onde não poderiam. Mas era um erro previsível. A internet é o meio mais perturbador que já surgiu na comunicação.

“Na comunicação política, a internet é rota ainda difícil de navegar. Somos neogrumetes de Sagres em mares bravios. Não por acaso, o mundo está infestado de curandeiros internáuticos a apregoar milagres. E a mídia potencializa resultados reais ou imaginários (“Ah, a campanha do Obama!”, “Ah, as eleições no Irã”, “Ah, o twitter do Serra”, “Ah, vem aí o blog do Lula”) sem que se consiga aferir a real dimensão do fenômeno. Se é perturbadora para nós do meio, por que não o seria para legisladores e juízes?”

” Foram enormes os pulos causados pela imprensa, pelo rádio, pelo cinema e pela TV na forma e no modo de fazer política. Mas nada perto dos efeitos que trará a internet.

Não só por ser uma multimídia de altíssima concentração, mas também porque sua capilaridade e interatividade planetária farão dela não apenas uma transformadora das técnicas de indução do voto mas o primeiro meio na história a mudar a maneira de votar. Ou seja, vai transformar o formato e a cara da democracia.

No futuro, o eleitor não vai ser apenas persuadido, por meio da internet, a votar naquele ou naquela candidata. Ele simplesmente vai votar pela internet de forma contínua e constante.”

“As cibervias não estão criando só “novas ágoras”. Criam também novas urnas. Do tamanho do mundo. Vão ajudar a produzir uma nova democracia tão radicalmente diferente que não poderá ser adjetivada ou definida com termos do nosso presente-passado, tipo “representativa” ou “direta”. Sendo assim, creio que nossos legisladores não vão querer passar para a história como os que imprimiram um sinete medieval em ondas cibernéticas. Não é só o erro, como já se disse, de encarar um meio novo com modelos de regulação tradicional. É porque a internet, no caso da comunicação política, nasceu indomável. E sua força libertadora tem de ser estimulada, e não equivocadamente reprimida.”

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Um comentário sobre ““O labirinto da internet”

  1. Só não entendo por que raios ele nos compara a “neogrumetes de Sagres em mares bravios”. Os grumetes de Sagres estavam sendo pioneiros em mares nunca dantes navegados. Eles não tinham em quem se espelhar.

    Não é o caso da política na internet, pois essas águas já foram singradas e mapeadas por outros navegadores. As duas últimas eleições americanas são um belo exemplo disso. Poderíamos, no mínimo, olhar para quem usa a internet melhor e há mais tempo, para saber que rumo tomar.

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