O Twitter agora é buscador

A homepage do Twitter mudou. Antes a pergunta era “O que você está fazendo agora?”. Desde ontem, o apelo é “Veja o que as pessoas estão falando sobre…”. A mudança de estratégia faz todo o sentido. É para isso que serve o microblog: ficar por dentro do que os seus amigos estão aprontando, pensando, compartilhando. Além de ver e ser visto, encontrar, seguir.

twitter1O search.twitter era um site perdido na imensidão do microblog. Alguns conheciam, a maioria não. Agora a ferramenta de pesquisa é carro-chefe. É o twitter se adaptando ao fluxo da web, afinal a audiência cada vez mais migra para buscadores e de lá chega em sites de conteúdo, redes sociais, aplicativos, etc.

Sem falar nessa nuvenzinha de tags ali embaixo que já indica para o internauta quais assuntos estão bombando no twitter. Dicas para o usuário começar a navegação.

Yakissoba em banca de rua em SP

O prato é chinês, popular entre japoneses, mas caiu no gosto do brasileiro. O Yakissoba – macarrão com legumes e molho shoyo – era servido apenas nos restaurantes de comida asiática. Era, agora é produto de venda ambulante em São Paulo.

mailNa rua Maestro Cardim, no bairro Bela Vista, centro médico paulista, uma jovem de 20 e poucos anos decidiu montar uma banca e oferecer o prato ao público que circula na região. Tirou o shoyo e incluiu o molho caseiro. E, a medir pelo movimento, ela acertou.

A embalagem de alumínio com uma porção do yakissoba custa R$ 6. O preço é um grande atrativo numa cidade onde uma refeição não custa menos de R$ 12.

Talvez a comunidade japonesa de São Paulo não aprecie muito o sabor, mas se eles se apropriaram do prato chinês e venderam o macarrão com legumes e carne mundo afora, o brasileiro também pode fazer a sua mistura.

Preconceito no Twitter?

O humorista Danilo Gentili postou uma frase enigmática no microblog Twitter: “King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?”

perfilgentiliA frase foi interpretada pelos tuiteiros de plantão como ofensiva e provocou um debate na rede social.  Gentili é apresentador do CQC da Band. O que ele fala e escreve tem repercussão muito maior do que um tuiteiro com um círculo de amizades restrito. Talvez sem consciência da influência que ele exerce para seu público (ele tem 175.434 seguidores hoje), o  humorista primeiro defendeu a frase e depois tentou explicar:

Justificativa: “Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de viado e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados. Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado”, escreveu no blog pessoal.

Explicação: “Reparem: na piada do KingKong nao disse a cor do jogador. Disse q loira saiu c/ cara pq e famoso. A cabeca de vcs q tem preconceito hein”, tuitou depois da polêmica.

A emenda parece ter piorado a percepção do público e o caso foi encaminhado ao Ministério Público. A Folha de São Paulo informa  que o MPF em São Paulo analisa se houve discriminação racial do comunicador.

Discriminação racial é crime na esfera privada e pública, mas se fosse uma pessoa pouco conhecida que tuitasse a frase também estaria em avaliação no MPF e suscitando esse debate?

O metrô de São Paulo e as formigas rumo ao lar

Os paulistanos de coração dizem que não é ruim viver em São Paulo. Basta morar e trabalhar próximo a uma estação do metrô. Eu acrescentaria mais uma condição: não depender do trem às 19h num dia de semana. Não em direção à Estação da Sé.

metroJá andei em vagões cheios, talvez até lotados, mas, pela primeira vez, me senti prestes a ser enlatada. Estava na estação São Joaquim, para seguir em direção a Tucuruvi, com um paranaense de Pato Branco, meio gaúcho, um pouco catarina, com um coração goiano, o Luiz Fernando. Ou seja, não bastava enlatar uma sardinha, éramos duas.

Passou a primeira composição e parou, portas abriram e nenhum movimento, nem de entrada, nem de saída. Passou a segunda, e a aflição de estar prestes a disputar meio metro quadrado na lata, aumentou. Mas ainda não tomamos coragem.

Foi a quarta composição que decidimos encarar. Seguimos assim: um pé no trem, o outro na porta, sem ter onde segurar, dançando o ballet do freia e acelera. Na Estação da Sé, as portas abrem e as pessoas viram formigas, milhares rumando na mesma direção: o lar. Porém com aquela certeza do final de cada jornada na maior metrópole do país: amanhã tem mais.

Espanha é líder em audiência de teletexto

Na faculdade eu tive uma cadeira chamada telemática e teletexto ou algo parecido. Lá pelo anos de 1996 ou 97, talvez.  Telemática era apenas um termo usado para agregar toda a história dos computadores e das novas tecnologias que naquela época não estavam tão na moda. A televisão era a mídia mais forte. A internet se popularizou no Brasil a partir de 1995. Mas o teletexto era uma tecnologia nova, promessa de expansão para o mundo!

Significava que a pessoa que estava assistindo televisão poderia, num zap, trocar de canal e ler um texto. Na tela do televisor! Era inovador. Mas não correspondeu às expectativas de crescimento. Para minha surpresa, soube esta semana que a tecnologia é sucesso absoluto na Espanha. São oito milhões de pessoas que assistem esse conteúdo diariamente.

O teletexto usa tecnologia de sms para gerar os textos e foi desenvolvido nos anos 90. Na Espanha, os mais experientes, acostumados a ler o texto na televisão, até se perguntam por que acessar a internet… A resposta você terá facilmente ao observar a interface do serviço na imagem abaixo:

teletexto

Jornalismo controla os instintos selvagens dos homens

Empresas de mídia mantêm o status quo de um sociedade. Essa frase sempre me causou revolta. Quando era estudante de jornalismo discordava, veementemente. Hoje tenho lá minhas dúvidas. Principalmente porque manter um certo grau de civilidade em uma sociedade doente é uma função social gratificante. E árdua.

O leitor pode dizer: “você está confundindo civilidade e status quo, não são sinônimos”. É verdade. O status quo é uma expressão latina para o estado atual das coisas. A civilidade é a aceitação e cumprimento de normas estabelecidas para a convivência harmônica entre os iguais. 

A nossa constituição diz o quê? Artigo 5º, Direitos Fundamentais: “Todos são iguais perante a lei” . Na interpretação do nosso judiciário, esse artigo significa que a igualdade se constitui em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. O conceito delineado por Rui Barbosa é usado para julgar pautas como cotas raciais e sociais em universidades.

A igualdade entre iguais e a civilidade são interdependentes e juntas mantêm o funcionamento de uma sociedade (status quo). O jornal quando estampa na capa um assassino está dizendo para a população que aquilo é transgressão. Quando mostra que homem comete crime por ciúmes, ensina que é errado. Se denuncia corrupção, lembra que as leis são descumpridas. Pelo menos na teoria. Eu sei que sempre haverá um terapeuta para questionar.

Na natureza humana, se não houvesse regras e limites estabelecidos, os instintos selvagens do homem se sobrepujariam e o caos estaria instalado na sociedade, por isso para Thomas Hobbes existe a necessidade de contrato social. Assim, a mídia ajudaria a manter a ordem social, constatação que hoje até me provocaria algum orgulho. Isso se eu conseguir convencer a estudante da Famecos da década de 1990.

ps. post inspirado no repóter Humberto Trezzi que acredita, como Hobbes, que “a civilidade controla os instintos humanos, e o homem é selvagem por natureza”

Morre Lauro Schirmer

Morreu hoje o jornalista Lauro Schirmer. A última vez que o ouvi falar fiquei encantada com as histórias de sua carreira na televisão do Rio Grande do Sul. Ele participou de um seminário sobre os 50 anos da televisão em maio deste ano na Unisinos, em São Leopoldo. Ao lado de Sérgio Reis e Geraldo Canali, ele arrancou risos dos estudantes ao contar a história do programa Show de Notícias que levou ao estúdio uma modelo vestindo um monoquíni. Fosse hoje, tudo bem, mas na década de 60, a ousadia acabou tirando a TV Gaúcha do ar por 24 horas.

Leia meu post da época sobre o evento