Mídia Social e Mainstream

Não são inimigas, mas a mídia social e a mídia tradicional têm dificuldades em engatar uma amizade duradoura. Uma nasceu sob o prisma do compartilhamento e conteúdo livre. A outra sobrevive num mercado comercial e precisa manter o negócio rentável, sob o risco de desaparecer, caso perca o desafio. Entretanto, algumas experiências mundo afora nos mostram que é possível a convivência harmônica entre as duas e, quiçá, a construção de laços permanentes.

nprBalizadora dos casos de sucesso, a medição de audiência da Rádio Pública Nacional (NPR), nos EUA, nos últimos dez meses mostra que a estratégia assumida pelo veículo é acertada. Passou de 23 milhões de ouvintes/semana para 26 milhões em um ano. Em 2008, a rádio investiu em um tripé: foco local, inserção na mídia social (twitter, facebook, podcasts, blogs) e presença ubiqua _ que transforma a linguagem linear da rádio em divulgação não linear na web e a construção própria de conteúdo. A NPR oferece um aplicativo  para que os usuários criem seus próprios arquivos a partir do uso e mix de podcasts e programas da grade regular. Ou, mais do que isso, que os usuários criem uma grade própria de programação entre o leque de ofertas na web.

Microblog de sucesso entre os usuários, o Twitter é uma ferramenta que nasceu com um caráter pessoal (descrever o que eu estou fazendo) e hoje é um gigante a serviço da informação hardnews. Grandes jornais estão divulgando suas manchetes por lá. NYTimes, Washington Post, Wall Street Journal são alguns exemplos. Empresas transformam o canal do Twitter em principal meio de comunicação. É o caso da Pepsi na Grã-Bretanha, que pepsi_rawcolocou na latinha do seu novo produto, o Pepsi Raw, o nick do Twitter. Mais do que divulgação, para o jornalista, o Twitter pode ser radioescuta, pauteiro, ferramenta de pesquisa e agenda de fontes.

Mais irreverente ainda é o uso que a Bussiness Week  faz do microblog. O editor-chefe da revista decidiu mergulhar em um diálogo interpessoal direto com os leitores. Não só fala sobre o que ele faz no cotidiano como coloca para debate as pautas que estão sendo desenvolvidas, divulga as mais lidas, ouve sugestões, etc. O perfil de John Byrne  tem 15,776 seguidores.  O conteúdo compartilhado muitas vezes vira post no blog “What´s your story idea” e algumas sugestões se transformam em matérias na revista impressa.

 A ferramenta coveritlive, que é gratuita na web, é uma outra forma de grandes veículos estimularem participação. O canadense Globe and Mail utiliza em cobertura breaking news, como um tiroteio que houve no metrô em Toronto, que permite diálogo direto entre o autor da narração e a audiência.

Seja no Twitter, no Facebook ou numa cobertura de blog ao vivo, o certo é que as mídias alternativas são populares e os veículos de mídia tradicional sabem disso. Ferramentas que priorizavam diálogos interpessoais, agora servem para divulgar informações de massa (sim, eu sei que há uma contradição aqui). Quanto mais seguidores, amigos ou feeds um usuário tiver, maior a dificuldade de filtrar o excesso de mensagens. Acredito que esse impasse seja o “turning point”. Os veículos tradicionais passarão a ser na rede o que sempre foram na vida real: filtros de informação. A diferença é que a audiência terá acesso a outras versões, se tornará mais exigente em termos de conteúdos especializados e não ficará calada mediante incorreções. Talvez seja a segmentação de conteúdos dos veículos de massa nas redes sociais que fortaleça os laços entre as duas mídias.  

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