Tanto lá, tão pouco aqui

Inevitável a comparação. Somos um povo colonizado pela cultura norte-americana. Comemos sanduíche do McDonald´s, assistimos filmes de Hollywood, usamos adesivos do Obama em nossos carros. Só o que não conseguimos absorver aqui são os avanços tecnológicos na mesma velocidade.

Na verdade, ficamos bem atrás. Vejam os números: o acesso à internet chega a 44,5 milhões de brasileiros pela Ibope Nielsen Online. Isso representa, segundo o censo do IBGE de 2007, 24,2% do total da população brasileira (183,9 milhões).

Pelo menos, a pesquisa mostrou que o tempo de navegação do brasileiro, considerando casa e trabalho, foi de 40 horas e 41 minutos em abril, o que é considerado alto.

Agora vejam a situação na terra do Tio Sam. Mais de 80% dos americanos têm computador em casa e 92% têm acesso à internet, segundo a Nielsen Online. A Internet é, por larga margem, a mais popular fonte de informação e a escolha preferencial para obter notícias, superando televisão, jornais e rádio, de acordo uma pesquisa da Zogby Interactive veiculada nos Estados Unidos.

Mais da metade das pessoas afirmaram que selecionariam a Internet, se tivessem de escolher uma única fonte de notícias, 21% televisão e 10% rádio e jornais.

A Internet também foi selecionada como a mais confiável das fontes de notícia por cerca de 40% dos adultos, 17% optaram pela televisão, 16% ficaram com jornais e 13% com rádio.

Aqui na terra Tupiniquim seguimos acreditando mais na televisão, lendo menos jornais e usando rádio para ouvir música. Tudo bem, eu sei que acesso à internet depende de investimento público, mas bem a iniciativa privada poderia incluir essa meta na nossa cocacolonização.

Quem ganha e quem perde?

O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou nesta tarde a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Dos 11 ministros da Casa, nove julgaram o recurso extraordinário de dezembro de 2006, movido pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. O placar final ficou em oito votos contra e um a favor do diploma.

Quem ganha com esta decisão são as empresas (foi um sindicato delas que impetrou a ação). Agora, não será mais preciso contratar uma pessoa com curso superior para fazer reportagem.

Ganha também a lei de mercado, livre disputa. Quem souber se vender, estará entre os melhores. Aliás, estudar administração com ênfase em marketing seria uma boa escolha para quem quer trabalhar em redação.

Por outro lado, um jornal pode ganhar em diversidade cultural, de formação, de conhecimentos. Talvez um texto elaborado por um especialista tenha maior qualidade.

Perde quem pensou que o diploma seria alguma garantia de futuro ou contava com ele para uma reserva de mercado. Perdem, também, muitos estudantes que entraram na faculdades de Jornalismo baseados na lei vigente. Numa projeção pessimista, as faculdades de jornalismo devem esvaziar no futuro.

Quem sabe, o jornalismo não vire uma especialização a partir de agora? Seria o ideal, mas a um custo que poucos poderiam pagar.

E olha a ironia (ou manipulação?): o site coletiva.net divulgou que, no ano passado, uma pesquisa de opinião realizada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)/Sensus revelou que 74,3% dos dois mil entrevistados em território nacional disseram ser a favor do diploma, contra 13,9% que defendem a atuação jornalística sem o documento.