O custo do compartilhamento na web 2.0

A web produz um paradoxo entre audiência, posição geográfica e sustentabilidade. Essa é a realidade que empresas de web enfrentam na era da web 2.0_  do compartilhamento, acesso gratuito e produção coletiva. Empresas de web que se baseiam em publicidade e conteúdo free estão vivendo um dos momentos de maior crescimento nos países em desenvolvimento. Mas esses são também os lugares onde o custo operacional é mais alto.

As empresas precisam de mais servidores para tornar o conteúdo disponível para países que tem banda larga limitada. E nestas regiões, as receitas com propagandas dificilmente se traduzem em lucro ou mesmo pagam a operação.

No Brasil, os sites de jornalismo enfrentam um dilema. O custo de um conteúdo de qualidade é alto, mas o acesso gratuito, que domina a internet hoje, e o disparate entre receita e despesas, desperta o questionamento sobre auto-sustentabilidade deste serviço na web.

Uma das possibilidades cogitadas são os micropagamentos por conteúdos determinados, mas a questão é polêmica, já que o copiar/colar é ação predominante no território livre da rede.

E enquanto o paradoxo da sustentabilidade se impõe, os internautas brasileiros podem acabar prejudicados.  Segundo uma reportagem do NYT, empresários da web estudam reduzir banda nos países desenvolvidos, implementar conexão mais lenta (estratégia do You Tube), reduzir a qualidade de vídeo e fotografia (estratégia do Facebook) ou mesmo medidas mais radicias como restringir acesso a sites em determinados países. É o caso do site Veoh, que inclusive já fechou o acesso aos internautas brasileiros.

Místico The New York Times

Mapa em mãos, era preciso pegar o trem até o Times Square e descer perto do Museu Madame Tussauds. Quando percebi estava na Sétima Avenida e precisa chegar à Oitava Avenida, onde fica o prédio do The New York Times. Decidi perguntar a um, depois a outro e a um terceiro. A resposta foi sempre a mesma: não sei onde fica.

Certamente estava no lugar errado. Se o jornal fosse a duas quadras dali como meu mapa indicava, todos saberiam dele. Afinal a excelência do jornalismo feito naquele templo místico para repórteres e editores era conhecida e reconhecida mundialmente.

new-york-2009-0731De qualquer sorte, decidi ver para crer. E após duas quadras ali estava eu em frente ao imponente portal de entrada daquele suntuoso prédio de 22 andares, prestes a ser recebida com um crachá de jornalista com o meu nome para um workshop de Watchdog Journalism.

Na recepção, um simpático porteiro encontrou meu nome na lista, me entregou a identificação e me acompanhou até os elevadores. Eram oito. Na parte externa em vez de um botão para subir e outro para descer, havia os comandos para os 52 andares. Apertei no 15° e esperei o visor me indicar qual deles me conduziria direto ao meu destino.

Lá chegando a deslumbrante vista para o Hudson River me embeveceu. O marco zero, o new-york-2009-075prédio da ONU, o rio. Fiquei ali alguns minutos admirando. Em seguida fui interrompida por Stephanie, coordenadora do workshop. Ela se apresentou e engatou um convite para eu descer dois andares e pegar um café, já que havia chegado cedo demais.

Lá fui eu, prédio abaixo. A cafeteria/restaurante é praticamente um andar inteiro. Uma ilha de grelhados (no café da manhã faziam omeletes), outra de fiambres e laticínios, uma terceira de pães e cereais. E o melhor: o bar aceita cartão de crédito!

Um café latte e um iogurte com cereal depois, subi para o workshop que estava prestes a começar. Foi uma lição depois da outra: fontes, agendas, online/offline, questões jurídicas, imigração, notícias internacionais. Um encantamento sem fim. Não pelo conteúdo, até básico, mas pelos palestrantes que estavam ali a um metro ou dois de mim. Me senti num templo místico, como se estivesse realizando o sonho de encontrar os gurus. Estava entre os melhores do mundo na minha profissão, pelo menos no mesmo ambiente físico.

Mas nem meu deslumbre permitiu a cegueira. O painel sobre jornalismo em meio à crise foi baixo astral. O repórter David Gonzalez tentou descontrair:

_ Se tem algo bom na crise, é que ela resulta em boas pautas de economia.

Ele recomendou fugir do lead informativo e contar histórias de vida. O jornalismo é sobre pessoas, disse Gonzalez. Pessoas como ele, que trabalha há 18 anos no mesmo jornal e que hoje convive com a falta de anunciantes, a ameaça de extinção, o desinteresse dos leitores.

Uma pesquisa mostra que 42% dos americanos sentiriam “pouco ou nada se o jornal no qual o Gonzalez escreve fechasse. Entre eles, certamente estão aqueles três transeuntes aos quais eu pedi informações quando chegava ao NYT pela primeira vez. Eles não sabem onde fica e imagino que não se importem com a qualidade do jornalismo, são o retrato da não tão distante era pós-jornal impresso.

ps: escrevi depois de ler a triste realidade descrita pela Veja http://tinyurl.com/c6cyrp

O Pulitzer e a bebida

Abaixo a relação e os links para as reportagens jornalísticas de 2008 que ganharam o Pulitzer Prize. Vale o esforço da leitura em inglês. Escolha uma categoria e mergulhe. É um excelente exercício de jornalismo e inspiração.

Serviço Público – Las Vegas Sun
Breaking News – The New York Times Staff
Reportagem investigativa – David Barstow of The New York Times
Reportagem explanatória – Bettina Boxall and Julie Cart of the Los Angeles Times
Reportagem local – Detroit Free Press Staff
and Ryan Gabrielson and Paul Giblin of the East Valley Tribune, Mesa, AZ
Reportagem Nacional – St. Petersburg Times Staff
Reportagem internacional – The New York Times Staff
Feature Writing – Lane DeGregory of the St. Petersburg Times
Opinião – Eugene Robinson of The Washington Post
Crítica – Holland Cotter of The New York Times
Editorial – Mark Mahoney of The Post-Star, Glens Falls, NY
Cartum – Steve Breen of The San Diego Union-Tribune
Fotografia factual – Patrick Farrell of The Miami Herald
Fotografia – Damon Winter of The New York Times

Ali de costas é o David Barstow, ganhador do prêmio de jornalismo investigativoEsse prêmio de jornalismo é dos mais importantes e influentes do mundo. É promovido pela Universidade de Columbia. Os ganhadores têm prestígio pelo resto de suas carreiras. Um feito deste merece ser festejado. Eu não poderia ter deixado escapar o registro: flagra de bebemoração com licquor na redação do New York Times. Foto “roubada”, por favor, não me denunciem!!!

Depois de cinco prêmios, eles merecem mais que uma happy Friday, eles merecem um porre 🙂

Impressões de uma provinciana em NY

Nova Iorque é cosmopolita ao extremo. Vive 24 horas, sete dias por semana, como o jornalismo online. Aliás, as similaridades são muitas…

new-york-2009-068A cidade é rápida, instantânea. Se o trem passar, a chance ficou para trás. O concorrente passou na frente. Mas vem outro trem logo ali, e aí sim, é a chance de se recuperar e tomar a frente.

É hiperinformativa e não-linear, um mapa te leva ao Union Square, que te leva ao Strand Bookstore , que te leva ao brick de rua, que te leva ao Starbucks, que te leva a uma aula de yoga free. Peraí, mas qual era mesmo o meu foco?

É interativa, até demais. Despretensiosamente, é possível conhecer as criaturas mais variadas. Um estudante de escola de atores no trem, uma brasileira que fala com sotaque estrangeiro numa caminhada, um surfista que pega onda sem prancha no Central Park, um jornalista interessante numa troca de olhares.

Mas há um elemento que me intriga: a aflição de estar na cidade mais multicultural do mundo e me sentir excluída por não ter um laptop ou iphone em mãos.

Quinze minutos na internet custam de $3 a $5! E ainda é preciso esperar em fila, ou seja, o custo sobe mais um pouquinho. Leva a tua paciência também… Foi uma angústia me sentir desconectada na cidade que mais interconecta culturas no mundo.

Ou seja, o online e NY tem mais uma coisa em comum: os dois viciam. Entre um vício e outro, ainda fico com o online, pelo menos ele pode me levar a uma viagem virtual à Manhattan, num simples clique de mouse.

Site oferece busca para publicações impressas gratuitas

A Associação Espanhola da Imprensa Gratuita (AEPG, na sigla em espanhol) lançou a primeira ferramenta de busca de publicações impressas gratuitas da Espanha.

Mais de 150 publicações online gratuitas podem ser encontradas a partir do buscador, que permite aos usuários fazer pesquisas com base em critérios como setor, área de distribuição, lugar e tipo de distribuição.

Segundo a entidade, o lançamento da nova ferramenta de busca foi uma resposta às mudanças naturais do setor, em um período em que os lucros de publicidade impressa têm ficado baixos.

O serviço de busca original abraçava apenas publicações impressas com presença online, mas agora ele foi expandido e passou a incluir também títulos digitais que não possuem um equivalente impresso.

As informações são do site JW.

Concurso de vídeos da CNN

A CNN abriu as inscrições para a quinta edição do Concurso Universitário de Jornalismo CNN. Será premiado o melhor vídeo jornalístico produzido por um estudante de comunicação.

O tema deste ano é  O uso da tecnologia no desenvolvimento social e o objetivo é incentivar o desenvolvimento do talento dos participantes e premiar o seu desempenho na elaboração de matérias jornalísticas televisivas.

O vídeo deve ter até dois minutos e ser postado no YouTube, de acordo com o regulamento. O autor do melhor vídeo  ganha uma viagem aos estúdios da CNN International, além de ter sua matéria exibida pelo canal. Cada participante poderá produzir quantas matérias quiser.

As inscrições podem ser feitas até dia 29 de junho de 2009.