Uma metamorfose ambulante

Sempre ouvi que a personalidade de uma pessoa sofre mudanças e muitas influências ao longo da vida. Acredito, como Raul Seixas, que sejamos metamorfoses ambulantes.  No entanto, me intriga que as amizades de infância sejam as mais duradouras. Pode ser que por um lado as pessoas sejam sim bastante compreensivas e aceitem as outras e suas metamorfoses. Ou que as mudanças acabem por aproximar as amizades. Mas o natural não seria que com a evolução da vida nos afastássemos mais daquilo que éramos e não somos mais?

Nunca tive problemas em cortar laços, apesar de hoje ter vontade de rever algumas pessoas queridas, especialmente minha amiga de infância Côca. O fato é que cortei relacionamentos mais íntimos diversas vezes, e amizades, no sentido literal, tenho poucas.

Cortei minha turma do colégio no último ano. Cortei minha amiga Cáca quando me senti inferior a ela. Cortei minha amiga Côca e nem lembro por quê. Cortei um namorado que amava e fui viajar. Algumas dessas pessoas eu tinha como minhas almas gêmeas, mas elas passaram…e eu permiti.

Numa era de relacionamentos efêmeros, em que a fila anda, acho que não deveria me sentir estranha. Mas os 30 nos aprontam essas armadilhas. Tudo isso para dizer que tenho uma amiga que amo, mas que me incomoda. Em 27 anos  já fomos Barbie e Bob, Tom e Jerry, O gordo e o magro e tantas outras duplas.

Eu dei a ela o direito de opinar sobre minha vida. E ela faz. Eu também opino sobre a dela, é verdade. Mas da última vez ela disse algo que não queria ouvir. Em outros tempos, simplesmente cortaria ela, mas a idade me faz mais ponderada. Pelo menos o corte não será no botão automático. Mas preciso de um tempo para digerir melhor a situação.

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Um comentário sobre “Uma metamorfose ambulante

  1. Ti disse:

    Mary, não me lembro mais que disse isso, acho que foi algum filosofo grego, mas na vida so a mudança é permanente….
    A gente muda, é verdade. A gente envelhece, a gente aprende, a gente aprende a dar valor ao aprendizado dos outros, a gente fica mais cabeça dura com as proprias opiniões, mas respeita mais a “cabeçadurice” dos outros, por empatia. Empatia é saber se colocar no lugar do outro. Eh facil entender a cabeçadurice do outro e o quanto o outro se irrita quando alguém se opõe à suas idéias quando somos exatamente iguais.
    As amizades de infância têm uma magica à parte. Pra começar temos normalmente a mesma idade, o que facilita, e muito, a tal empatia. E a vivência da infância, quando a gente esta descobrindo tudo e se descobrindo ao mesmo tempo é de uma cumplicidade impar. Rever amigos de infância remete à esta cumplicidade. São amigos que testemunharam as nossas besteiras, as nossas ingenuidades, os defeitos ainda nao controlados. São amigos que mudaram a gente: não necessariamente as nossas vidas (efim, talvez…), mas conduziram as mudanças da nossa personalidade.
    Talvez por tudo isso, acho que mudamos continuamente mas guardamos dentro da gente vestigios da nossa infancia, vestigios de quando começamos a mudar. Talvez não mudamos tanto quanto pensamos ter mudado…
    Tolerar erros, frases, atos desajeitados de amigos de infância é, para mim, um ato humano. De uma certa forma, a pessoa que nos inflige tais aborrecimentos é resultado da sua infância, da qual nos participamos e ajudamos a conduzir.
    Sofro de uma sindrome, da qual os psicologos e psiquiatras ainda nao discorreram em revistas especializadas, mas acredito aque ainda vao faze-lo 🙂 Chamo de sindrome do Pequeno Principe. Ele aprende, com um dos amigos que encontra, que ele é responsavel por tudo o que ele cativa. Tenho muita dificuldade em me desvinciliar de pessoas que fizeram parte da minha vida. Quando a pessoa opta por se afastar é mais facil, mas é muito dificil quando a decisão vem de mim. Estou morando longe dos meus amigos (de infância e de maturidade) ha mais de 6 anos. Não consigo cortar o contato. Não posso me impedir de ligar, escrever, procurar cada vez que estou la aonde eles estão. As vezes é frustrante ter a impressão de que sou sempre eu quem devo tomar essa iniciativa, mas ja me conformei, essa é a sina dos que sofrem da sindrome do Pequeno Principe: nos somos responsaveis por aqueles que cativamos!
    Talvez… (e eu te deixo com esta reflexão) quando se trata de amigos de infância, somos todos um pouco pequenos principes e princesas, o que cai bem para um universo infantil… Talvez, a cumplicidade e a empatia da contemporaneidade façam que nos sentimos eternamente responsaveis por esses pequenos seres que cativamos ha uns 30 anos atras!
    Um grande beijo e boa semana…
    Ti

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