Por que pesquisar sobre automatização e conteúdos falsos

2018 está pedindo passagem. Será um ano no qual a campanha eleitoral travará batalhas não apenas presenciais, televisivas e digitais, mas principalmente automatizadas. Os algoritmos entraram em campo nas manifestações de rua de 2013 e de 2015 e mostraram a força de influência que a programação para a internet pode exercer sobre a ação e a vontade humana. Vivemos na era do filtro bolha como chamou Eli Parisier. No ambiente de sites de redes sociais consumimos aqueles conteúdos que são selecionados a partir do nosso comportamento de interação aliado ao comportamento dos nossos amigos. As afinidades nos permitem estar em um círculo confortável, mas pernicioso. Se nossos amigos concordam com um posicionamento político, comentam e compartilham, a tendência é que eu siga esse efeito manada. O risco é não conhecer a fonte de origem da informação e reproduzi-la acriticamente alimentando a máquina da desinformação. O excesso de informação leva à desinformação, já nos alertou Umberco Eco ainda nos anos 1990s.

A automatização em instruções computacionais desde Alan Turing tem um potencial de eticamente salvar uma nação da guerra. O problema é que a programação dessas instruções matemáticas não é transparente. Os códigos nem sempre seguem a ética Hacker de compartilhamento, em especial, em grande empresas de tecnologia como o Facebook e a Google. A lógica é perversa: quanto mais cliques, mais retorno do investimento. Na economia digital dos gigantes, os produtores de conteúdos são remunerados por cliques por milhão (CPM), é a ditadura da visualização de página. Quanto mais clique, maior o pagamento. Essa lógica gerou as empresas de mídia de conteúdos falsos chamados fake news, ou seja, empresas criadas para caçar cliques a qualquer custo, nem que para isso inventassem fatos, declarações, acontecimentos.

Mais perverso ainda se tornou essa lógica quando percebeu-se que a instrução algorítmica também estava sendo apropriada para ativismo político na internet e aliciamento de eleitores. Notou-se o uso desse recurso nas manifestações de rua no Brasil e tomou uma proporção mais preocupante ainda nas eleições de 2016 nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump utilizou como estratégia de campanha a programação para a internet por meio de  robôs aliciadores de eleitores desavisados e desinformados, inclusive com campanha para abalar as instituições jornalísticas acusadas de produzir “fake news” para manipular a opinião pública (imagem abaixo).

2018 está batendo à porta. Que ele nos traga transparência ou, pelo menos, mais conhecimento sobre o fenômeno da manipulação pela automatização. Informação em excesso pode desinformar, informação com contexto pode nos salvar. Pesquisar sobre essa questão é imprescindível.

Trump/reprodução FOXNews

Trump/reprodução FOXNews

 

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Rota Pop | a gastronomia de cinema

Gastronomia e diversão na Rota Pop!

Gastronomia e diversão na Rota Pop!

O Rota Pop é um projeto desenvolvido por estudantes de jornalismo com o objetivo de  descobrir e experimentar novos bares, cafeterias e restaurantes relacionados à cultura pop na região metropolitana de Porto Alegre (RS).

Os jovens jornalistas em formação garimparam lugares deliciosos nas cidades onde moram para desvendar as histórias de pessoas por trás dos novos negócios. Encontraram narrativas divertidas e envolventes como essa do Funny Feelings, um bar-restaurante super querido da cidade de São Leopoldo. Depois de o Rota Pop divulgar o lugar, o empreendedor Fabiano Chaves do local já foi entrevistado pelo Jornal do Comércio e pela RBSTV.

O Rota Pop esteve no Medium, no Facebook e no instagram. O projeto teve duração de um semestre em 2017.

Hip hop para inclusão

O canal Trilha Hip Hop nasce como um projeto de jornalismo com causa para dar visibilidade a manifestações culturais da periferia. O projeto digital tem o objetivo de mostrar artistas e bandas da cultura na região metropolitana de Porto Alegre.

O projeto foi criado por estudantes de jornalismo da Unisinos com supervisão desta que vos escreve. Os alunos prospectaram um produto digital a partir de três perspectivas: desenvolvimento do produto digital e experiência do usuário, produção de conteúdo jornalístico e relacionamento com os públicos-alvo.

O projeto foi desenvolvido em 2017 e contou também com apresentações de artistas da cultura hip hop e grafiteiros no ambiente universitário.

Trilha Hip Hop

Trilha Hip Hop está no Medium, Facebook e Instagram

Tabuu e os paradigmas da beleza

O projeto digital Tabuu, paradigmas da beleza, é uma iniciativa de estudantes de jornalismo com causa. O objetivo do canal é produzir conteúdos para dialogar e combater preconceitos.

As pautas abordaram questões culturais sobre a aceitação coletiva das diferenças de gênero, a objetificação da mulher, os estereótipos trabalhados pela mídia, as questões emocionais do indivíduo inserido neste contexto.

O projeto foi desenvolvido em 20165na Unisinos com supervisão minha e teve o mérito  reconhecido com o prêmio únicos 2016.

Tabuu, paradigmas da beleza

Tabuu, paradigmas da beleza

Vago mas excitante… | a criação da web

Tim Berners-Lee foi o criador da web. Ele trabalhava na área de informática do CERN, Organização Europeia para Pesquisa Nuclear, e percebia a dificuldade de organizar e dar acesso a todas as produções científicas desenvolvidas pelo centro. Os pesquisadores produziam e pouco compartilhavam com os demais colegas para que os estudos tivessem sequência.

Na década de 1980, Berners-Lee escreveu um memo sugerindo um sistema global de hipertexto baseado em protocolo http com endereços de URL como se fossem placas de sinalização para chegar a um destino, ou rótulos para diferenciar um produto de outro. Ou seja, o cara teve essa ideia brilhante de programar uma rede de conexões “amigável” para uso de qualquer pessoa, sem necessidade de conhecer o alfabeto de computação, basta conhecer um alfabeto universal para digitar um endereço web (URL, uniform resource locator). Escreveu a proposta ou plano e submeteu ao chefe dele no Cern. Captura de Tela 2015-08-08 às 19.55.07Ele achou que o chefe não havia nem lido, mas anos depois ele descobriu que o chefe não só havia lido, como também havia feito uma anotação no topo da página: ” Vague but exciting” (ver imagem acima).

No vídeo abaixo, Berners-Lee fala sobre essa história e outras. Fala inclusive sobre a proposta para uma web semântica. 

Sete características do webjornalismo

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O livro do português João Canavilhas nasce um clássico. O professor da Universidade Beira Interior formou uma rede de sete teóricos do webjornalismo para reunir capítulos definitivos sobre as principais características do suporte internet para o jornalismo.

O professor incluiu entre os autores o brasileiro Marcio Palácios (UFBA) para discorrer sobre memória na web e o britânico Paul Bradshaw para falar sobre a instantaneidade. A agradável surpresa se chama Alejandro Rost, teórico argentino. Ele escreveu o capítulo sobre interatividade com riqueza histórica e conceitual. Também publicaram textos John Pavlik (ubiquidade), Ramon Salaverría (multimidialidade), Mirko Lorenz (personalização).

A obra foi publicada para download gratuito em dezembro de 2014.

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