Lise Brenol

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O roubo da prova

11/06/2009 · Deixe um comentário

Eu roubei uma prova. Para uma menina de 10 anos, conseguir a prova era um desafio, uma aventura. Foi no colégio no ano de 1900 e deixa para lá. Confesso que havia deletado o episódio da minha memória. Os reencontros servem para isto: relembrar que teu passado te condena.

Não me lembro do que se tratava aquele exame, deveria ser matemática, só pode. Ainda hoje contas e cálculos me levam à loucura. O fato é que a turma de larápias se reuniu nesta semana, 14 anos depois de formadas do segundo grau, para contar as vantagens dos bons tempos em que armávamos crimes quase perfeitos e curtíamos amores platônicos.

Taís teve a ideia, Mari divulgou, Cris liderou e delegou responsabilidades e a Ju… fez o que mesmo? Deve ter traçado um plano de vendas da prova para os demais colegas, ou algo assim.

Mas quem ficou com a tarefa de efetivamente colocar a mão nas questões fui eu. Afinal, era descolada, desinibida, corajosa. Mas também bobalhona, ingênua e fofoqueira.

Enquanto duas distraiam a professora, eu dava o bote. Fiquei tão orgulhosa do meu feito que cheguei em casa e a primeira coisa que fiz foi… contar para minha mãe! Tsc, tsc, tsc

No SOE (serviço de orientação educacional), no dia seguinte, entrei para a lista de ovelhas negras do colégio. Mas não entrei sozinha. E também não sairia sozinha. Estava com minhas amigas para a vida. Hoje eu sei que  momentos como este provam quem é quem. O certo é que o colégio passou, os amores plantônicos viraram reais, mas as amizades e as lições ficaram para sempre.

Estávamos na quarta série do ensino médio. A professora deixou a prova que aconteceria no dia seguinte em cima da mesa.  Claro, foi uma provocação.

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Uma metamorfose ambulante

10/01/2009 · 1 Comentário

Sempre ouvi que a personalidade de uma pessoa sofre mudanças e muitas influências ao longo da vida. Acredito, como Raul Seixas, que sejamos metamorfoses ambulantes.  No entanto, me intriga que as amizades de infância sejam as mais duradouras. Pode ser que por um lado as pessoas sejam sim bastante compreensivas e aceitem as outras e suas metamorfoses. Ou que as mudanças acabem por aproximar as amizades. Mas o natural não seria que com a evolução da vida nos afastássemos mais daquilo que éramos e não somos mais?

Nunca tive problemas em cortar laços, apesar de hoje ter vontade de rever algumas pessoas queridas, especialmente minha amiga de infância Côca. O fato é que cortei relacionamentos mais íntimos diversas vezes, e amizades, no sentido literal, tenho poucas.

Cortei minha turma do colégio no último ano. Cortei minha amiga Cáca quando me senti inferior a ela. Cortei minha amiga Côca e nem lembro por quê. Cortei um namorado que amava e fui viajar. Algumas dessas pessoas eu tinha como minhas almas gêmeas, mas elas passaram…e eu permiti.

Numa era de relacionamentos efêmeros, em que a fila anda, acho que não deveria me sentir estranha. Mas os 30 nos aprontam essas armadilhas. Tudo isso para dizer que tenho uma amiga que amo, mas que me incomoda. Em 27 anos  já fomos Barbie e Bob, Tom e Jerry, O gordo e o magro e tantas outras duplas.

Eu dei a ela o direito de opinar sobre minha vida. E ela faz. Eu também opino sobre a dela, é verdade. Mas da última vez ela disse algo que não queria ouvir. Em outros tempos, simplesmente cortaria ela, mas a idade me faz mais ponderada. Pelo menos o corte não será no botão automático. Mas preciso de um tempo para digerir melhor a situação.

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